Idoso recebe alta após intoxicação por fruto alucinógeno no Acre

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Oséias de Souza Lima, de 69 anos, recebeu alta do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Acre (Into-AC) no último sábado (7) após sofrer intoxicação ao ingerir um fruto de uma planta tóxica. O incidente ocorreu no dia 26 de fevereiro, quando ele encontrou o fruto no quintal da vizinha.

Uma cunhada de Oséias, que preferiu não se identificar, confirmou a alta hospitalar nesta segunda-feira (9). Ela informou que, apesar da alta, Oséias ainda não está totalmente recuperado e apresenta sonolência. “Após a alta, percebemos que ele ainda está com bastante sono, por isso, fica bocejando direto e também segue meio lento”, disse.

Oséias foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após consumir o fruto da planta trombeta roxa (Datura metel), conhecida popularmente como saia roxa. Ele estava acompanhado da esposa, Gelzifran da Silva Lima, e do filho de 13 anos, no bairro Belo Jardim II, em Rio Branco.

Após a intoxicação, as três vítimas foram levadas ao hospital pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Gelzifran e o filho receberam alta no dia seguinte, 27 de fevereiro, após um dia de internação. O adolescente foi o que apresentou menos efeitos colaterais entre os três.

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A família de Gelzifran relatou que ela apresentou períodos de alucinações, dificuldade para se alimentar devido ao gosto amargo na boca e insônia mesmo após receber alta.

O professor e coordenador do Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Amazônia Ocidental (PPBio) da Universidade Federal do Acre (Ufac), biólogo Marcos Silveira, explicou que o fruto da trombeta roxa é altamente tóxico e não deve ser ingerido. “A trombeta roxa é da família Solanaceae, a mesma do tomate e da batata. Ela é uma planta asiática naturalizada em várias partes do mundo. É altamente tóxica, mas em doses controladas é usada como analgésico e antiespasmodico”, afirmou.

Silveira também destacou que a planta é considerada invasora, pois cresce com facilidade e se espalha rapidamente. Ele alertou que o fruto contém atropina, uma substância que pode causar intoxicação grave.

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