Imagens aéreas revelaram que os moradores da comunidade Vida Nova estão sob ameaça de inundações em Ribeirão Preto, SP. A comunidade, que abriga 170 famílias, localiza-se a poucos metros da Barragem Santa Tereza, que opera no limite de sua capacidade.
Os moradores relataram que, nos últimos dias, a água se aproximou rapidamente das casas. O temor é que a estrutura da barragem se rompa.
“”Eles não têm pra onde ir, não tem como eles saírem daqui e procurar outro lugar, então eles continuam na área de risco”, afirmou Fernanda Aparecida, líder comunitária.”
A barragem faz parte de um sistema de contenção de enchentes que não tem funcionado adequadamente, resultando em alagamentos constantes na região da Avenida Adelmo Perdizza. A Prefeitura de Ribeirão Preto informou que realiza limpezas na barragem, sendo a última em janeiro. O alagamento na Avenida Adelmo Perdizza é considerado um problema histórico.
A Prefeitura também mencionou que um plano de macrodrenagem prevê a construção de mais três estruturas, mas depende de recursos do governo federal. A concessionária Entrevias afirmou que mantém o sistema de drenagem limpo e que os alagamentos são causados pela macrodrenagem do município.
Um sobrevoo ao longo do Córrego Ribeirão Preto mostrou um acúmulo excessivo de lixo e entulho dentro do reservatório, o que reduz a capacidade de escoamento da barragem. O Córrego Ribeirão Preto, que nasce na região central de Cravinhos, já apresenta indícios de poluição.
O engenheiro civil José Roberto Romero destacou que a barragem possui dois sistemas de vazão, mas um deles está comprometido.
“”Está assoreada, cheia de lixo e material, e isso acaba diminuindo a área de captação. A água sobe, não tem como escoar porque está represada, então ela extravasa”, explicou.”
Romero ressaltou que, embora a estrutura não apresente danos visíveis, é necessária uma avaliação técnica detalhada. Ele defendeu a construção de uma barragem intermediária entre Bonfim e a Santa Tereza para melhorar a situação.
“”Tem que ser feita uma barragem intermediária entre Bonfim e a Santa Teresa, ou um piscinão, por conta da impermeabilização que foi feita no solo”, avaliou.”
Além das falhas estruturais, a ausência de diques de contenção que deveriam ter sido construídos agrava a situação. Romero afirmou que a expansão imobiliária na região sul reduziu as áreas de infiltração da água.
“”Impermeabilizou muito mais o solo, teve mais construções, mais pavimentação, e não tem captação de água no local”, concluiu.”


