O mercado financeiro global apresentou volatilidade em resposta ao conflito no Oriente Médio, com o preço do petróleo ultrapassando os US$ 100 por barril. A Bolsa Brasileira, que já estava sensível a essa questão desde a semana anterior, tem alternado entre quedas e recuperações. As ações da Petrobras, por outro lado, registraram alta de mais de 4% devido à valorização da commodity.
Em entrevista ao programa CNN 360°, o economista e CEO da Veedha Investimentos, Rodrigo Marcatti, explicou que o Brasil tem enfrentado menos impacto devido ao fluxo significativo de capital externo que continua a entrar no país, mesmo em meio às tensões geopolíticas. “A gente tem visto aí uma rotação nas ações, Petrobras conseguindo performar bem, obviamente por conta do preço do barril de petróleo atingido nos últimos dias”, afirmou Marcatti.
O economista destacou a importância de distinguir entre ruído e fundamentos neste momento. “O fundamento é, existe uma possibilidade de choque de oferta por conta do estreito do abuso que está fechado e por todo o abastecimento que aquela região é responsável por fazer”, declarou. Ele também mencionou que algumas medidas já foram estrategicamente planejadas, como o aumento da produção na Venezuela para conter um possível choque de oferta.
Marcatti enfatizou que o impacto real da guerra na oferta de petróleo só poderá ser avaliado com base na duração do conflito. “Você precisaria dessa situação atual se intensificar e durar pelo menos 40, 50 dias para aí, de fato, ter um problema de oferta maior e sustentar esse preço de petróleo num patamar acima dos 100 dólares”, explicou.
Ele acredita que, ao contrário do conflito entre Rússia e Ucrânia, esta guerra tende a ter uma duração menor devido ao poder armamentício dos Estados Unidos e seus aliados. O aumento no preço do petróleo já começa a afetar setores como o de transporte, com companhias aéreas europeias e asiáticas registrando quedas de até 9% em suas ações.
Marcatti alertou que todo o setor de logística, incluindo transporte terrestre e aéreo, será impactado caso o preço da commodity permaneça elevado. No Brasil, embora ainda não haja confirmação de que a Petrobras fará o repasse dos aumentos para as distribuidoras, o economista considera improvável que isso não ocorra se os preços se mantiverem no patamar atual. “Isso impacta novamente a inflação, por isso que nos últimos dias a gente viu a taxa de juros futura subir novamente”, observou.
O especialista ressaltou que o mercado reage fortemente às notícias diárias, o que, por enquanto, representa mais especulação do que fundamentos. Contudo, se o conflito se prolongar, poderá haver consequências reais para a política monetária global, incluindo a brasileira, com possível revisão das expectativas de corte nas taxas de juros para este ano.


