Impacto da guerra no Oriente Médio pode atrasar alta dos combustíveis no Brasil

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O impacto da guerra no Oriente Médio nos preços dos combustíveis no Brasil pode demorar a ser sentido pelos consumidores. A avaliação é do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy.

Desde o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, no último sábado (28), o preço do petróleo teve uma forte alta. Ardenghy explicou que as refinarias mantêm estoques de petróleo, o que impede uma mudança imediata nos preços. Se o preço do petróleo continuar elevado, as refinarias começarão a comprar o produto mais caro.

““Na medida em que esse petróleo mais caro chegar às refinarias, elas também, com um certo tempo, tenderão a transferir esse preço para os seus contratos novos, porque nos contratos já firmados, elas garantem o preço anterior”, afirmou Ardenghy.”

O presidente do IBP destacou que esse processo pode levar até seis meses. Ele também apontou que a incerteza no mercado global sobre o futuro do conflito pode retardar o impacto nos preços. “Altos patamares do preço do petróleo dependem da continuidade ou não do conflito armado, do bloqueio do Estreito de Ormuz, da disseminação do conflito para outros países do Oriente Médio”, explicou.

Sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz, que é crucial para a exportação de petróleo, Ardenghy ponderou que o fechamento não interrompe todo o fluxo de óleo, pois existem rotas alternativas. O estreito, localizado na costa do Irã, foi bloqueado em resposta aos ataques dos EUA e de Israel.

““Há algumas alternativas, não para garantir todo aquele volume que passa no Estreito de Ormuz, mas, pelo menos, para uma parcela importante”, avaliou.”

O Brasil, segundo Ardenghy, já é um importante produtor de petróleo, com uma produção de 3,8 milhões de barris por dia em 2025. Ele acredita que o país pode suprir uma quantidade significativa de petróleo para o mercado internacional, especialmente em um cenário de escassez proveniente do Oriente Médio.

““Hoje, o Brasil já é um produtor relevante. Somos o nono maior produtor e o nono maior exportador mundial de petróleo”, destacou.”

Ardenghy também mencionou que a situação atual pode levar à reorientação dos fluxos globais de comércio de petróleo e gás natural, com países que dependem do Oriente Médio buscando diversificar suas fontes de suprimento.

Ele ressaltou a importância de o Brasil manter sua atividade petrolífera e a pesquisa geológica para garantir segurança energética e gerar divisas com exportações.

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