A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã interrompeu as exportações de petróleo e gás natural do Oriente Médio. A situação forçou a paralisação da produção no Catar e no Iraque, enquanto o Kuwait anunciou cortes na produção no último fim de semana.
Analistas preveem que os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita também terão que reduzir a produção em breve, devido ao esgotamento de suas reservas de petróleo.
Paralisação da produção
A Kuwait Petroleum Corporation declarou força maior em 7 de março, reduzindo a produção de petróleo devido à guerra que interrompeu as exportações pelo Estreito de Ormuz.
A ADNOC, Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi, afirmou em 7 de março que estava gerenciando ativamente os níveis de produção offshore para preservar a “flexibilidade operacional”. Um incêndio causado por destroços ocorreu no porto de Fujairah, um importante centro global de armazenamento e abastecimento de petróleo.
O Iraque, segundo maior produtor da OPEP, reduziu sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia (bpd) devido à falta de capacidade de armazenamento e exportação. Autoridades informaram que esse número poderia subir para 3 milhões de bpd em poucos dias, caso as exportações não fossem retomadas.
A produção total iraquiana foi de cerca de 4,1 milhões de bpd em janeiro, o que representa cerca de 4% da produção mundial. No Curdistão iraquiano, várias empresas interromperam a produção como medida de precaução.
A QatarEnergy suspendeu as operações em suas instalações de GNL em 2 de março, afetando algumas das maiores plantas do mundo, que abastecem cerca de 20% do GNL global. A empresa também suspendeu parte da produção de downstream um dia depois e declarou força maior nos embarques de GNL em 4 de março.
A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, suspendeu a produção em sua refinaria de Ras Tanura, com capacidade para 550.000 barris por dia. A refinaria foi atingida novamente em 4 de março, mas não sofreu danos, segundo o Ministério da Defesa saudita.
Interrupções adicionais
Israel também reduziu parte de sua produção de petróleo e gás. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou em 7 de março que havia atacado uma refinaria israelense após a refinaria iraniana em Teerã ter sido atingida. Sirenes de alerta aéreo soaram na região de Haifa, mas não houve relatos de danos.
Envio pelo Estreito de Ormuz
O tráfego pelo Estreito de Ormuz foi praticamente interrompido após o Irã atacar pelo menos cinco navios, limitando o número de petroleiros que transitam. O estreito é responsável por cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e GNL.
Um alto funcionário da Guarda Revolucionária Iraniana declarou em 2 de março que o Estreito de Ormuz estava fechado e alertou que o Irã abriria fogo contra qualquer navio que tentasse passar. Em 7 de março, a Guarda Revolucionária informou que havia atingido um petroleiro com bandeira das Ilhas Marshall no estreito.
As principais seguradoras marítimas estão cancelando a cobertura contra riscos de guerra para embarcações que operam em águas iranianas e adjacentes. O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Marinha dos EUA poderia escoltar petroleiros pelo estreito e orientou a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA a fornecer seguro contra riscos políticos.
Impacto nos consumidores
As refinarias chinesas estão paralisando unidades de processamento de petróleo bruto ou antecipando manutenções programadas devido à interrupção no fluxo de petróleo. A Índia está buscando fontes alternativas de petróleo bruto, GLP e GNL para se preparar para a continuidade da crise.
A Indonésia planeja aumentar as importações de petróleo bruto dos EUA para compensar a redução da oferta no Oriente Médio.

