Impacto das monoculturas de pinus nas cores das borboletas da Mata Atlântica

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) descobriram que as monoculturas de pinus estão afetando a coloração das borboletas na Mata Atlântica. O estudo, realizado na Floresta Nacional de São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha, analisou 5.855 indivíduos de 47 espécies de borboletas frugívoras da família Nymphalidae.

As plantações de pinus, conhecidas como ‘desertos verdes’, estão simplificando as cores das borboletas, resultando em uma paisagem biologicamente empobrecida. Espécies coloridas estão se tornando raras, enquanto insetos de tons opacos, como marrom e cinza, predominam.

André Nogueira Thomas, estudante de biologia e primeiro autor do estudo, explica que a substituição da mata nativa por plantações homogêneas atua como um filtro ecológico. “Nas áreas de pinus, as pessoas tendem a encontrar mais borboletas com tons marrons e cinzas”, afirma. Ele destaca que borboletas mais coloridas aparecem em menor quantidade em comparação com áreas conservadas.

A pesquisa revela que as cores das borboletas desempenham funções essenciais, como regulação da temperatura, atração de parceiros e camuflagem contra predadores. No entanto, em ambientes dominados por pinus, essas estratégias evolutivas podem se voltar contra elas, tornando-as mais vulneráveis.

O estudo também constatou que o impacto da silvicultura pode durar décadas. Os pesquisadores compararam áreas de pinus jovens e mais antigas, de até 70 anos, e notaram que a regeneração natural da vegetação não ocorreu. O pinus, com características invasoras, libera substâncias químicas que dificultam o crescimento de outras plantas, impedindo a recuperação da flora nativa.

Além disso, a estrutura das plantações altera o microclima da floresta, criando condições diferentes das encontradas em uma floresta de Mata Atlântica. Isso resulta em um ambiente que muitas espécies não conseguem habitar.

Os pesquisadores alertam que a perda de diversidade de cores nas borboletas é um indicador ambiental importante. “Estamos reduzindo a paleta de cores da natureza”, afirma André. Ele ressalta que a degradação dos ecossistemas está ligada à qualidade de vida humana, com consequências como mais epidemias e desastres socioambientais.

André também expressa preocupação com decisões políticas que podem flexibilizar o licenciamento ambiental para atividades de silvicultura. Ele defende que as pesquisas buscam orientar práticas mais sustentáveis, utilizando espécies nativas e minimizando impactos ambientais.

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