Uma semana após o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, o conflito já gera impactos na economia global. No dia 9 de março, o preço do petróleo bruto Brent e WTI ultrapassou a marca de US$ 100 (R$ 520) pela primeira vez desde 2022, embora tenha caído para menos de US$ 95 (R$ 494) no mesmo dia. Em 27 de fevereiro, um dia antes do início das hostilidades, o preço do petróleo estava em torno de US$ 70 (R$ 364) por barril.
Esse aumento nos preços dos combustíveis ocorreu principalmente devido ao fechamento do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, após o governo iraniano ameaçar navios que tentassem atravessar essa hidrovia, que é responsável por aproximadamente 20% do petróleo e gás do mundo. Especialistas preveem que as repercussões do conflito afetarão outras áreas da economia.
Um dos efeitos é a produção de alimentos, que está sob risco. O conflito está afetando os principais exportadores de fertilizantes, como Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A Qatar Energy, uma das principais produtoras de ureia, suspendeu suas operações devido à interrupção do fornecimento de gás causada por ataques iranianos. Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz impede a exportação de fertilizantes, elevando os preços. No Porto de Nova Orleans, o preço dos fertilizantes saltou de US$ 516 (R$ 2.684) para US$ 683 (R$ 3.552) por tonelada métrica.
Outro impacto significativo é a restrição na distribuição global de medicamentos. Os ataques em Dubai, um importante centro logístico, afetaram o transporte aéreo de cargas farmacêuticas. O aeroporto de Dubai, que é um ponto estratégico para a indústria farmacêutica, sofreu danos, interrompendo as operações normais. A indústria farmacêutica da Índia, maior fornecedora mundial de medicamentos genéricos, depende desse aeroporto para exportar produtos para diversos países.
Por fim, a produção de metais, substâncias químicas e eletrônicos também está sendo impactada. Países do Oriente Médio, como Arábia Saudita e Irã, são grandes exportadores de enxofre, essencial para a produção industrial. Interrupções no fornecimento de enxofre já levaram a cortes na produção de níquel na Indonésia, que responde por mais de 50% do níquel mundial. A falta de enxofre pode afetar a produção de semicondutores e chips, essenciais para dispositivos eletrônicos.
““O aumento repentino dos preços dos alimentos e combustíveis pode ter um efeito dominó que agravará a fome para as populações vulneráveis”, alertou o Programa Mundial de Alimentos da ONU.”


