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Impactos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado de petróleo

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A escalada da guerra no Oriente Médio está moldando um cenário duradouro para o mercado de energia. O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, afirma que o impacto sobre o petróleo não deve desaparecer rapidamente, mesmo com um possível cessar-fogo.

Parte significativa da infraestrutura de produção e escoamento já foi danificada. Galhardo destacou: “Boa parte da infraestrutura do setor de petróleo e gás já foi danificada. Isso não será revertido da noite para o dia.”

Desde o início do conflito, o preço do barril de petróleo acumulou uma alta próxima de 50%, o que elevou a aversão ao risco global. O aumento nos preços do petróleo não afeta apenas o setor de energia, mas também pressiona os custos de transporte, produção e logística, contribuindo para riscos inflacionários em todo o mundo, incluindo o Brasil.

A dificuldade de recompor rapidamente a cadeia de produção agrava ainda mais a situação. Galhardo observou que a recuperação de campos, refinarias ou rotas de transporte pode levar meses ou até anos. Durante esse período, o mercado tende a operar com preços mais elevados, especialmente devido ao aumento nos custos de transporte do petróleo na região.

O frete em algumas rotas chegou a subir dez vezes, passando de cerca de 2,5 dólares para até 20 dólares por barril. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, acrescentou que o uso das reservas estratégicas de petróleo pelos países pode intensificar a pressão sobre o mercado. Essas reservas funcionam como um amortecedor em momentos de crise.

Lima explicou: “Boa parte das economias tem uma reserva muito grande de petróleo. Em momentos como este, essas reservas acabam sendo corroídas também.” O problema é que esse colchão de segurança tem limite. Se o conflito se prolongar, o mercado precisará precificar a escassez real do produto, especialmente do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do comércio global de energia.

Nesse contexto, Lima alerta para o risco de um “efeito surpresa” na economia mundial, com impactos mais significativos sobre preços, inflação e decisões de política monetária ao redor do planeta.

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