As importações de minério de ferro pela China nos dois primeiros meses de 2026 aumentaram 10% em relação ao ano anterior, totalizando 210,02 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10) e refletem a forte demanda interna e as exportações robustas da Austrália, maior fornecedora mundial do produto.
No mesmo período do ano anterior, a China havia importado 191,36 milhões de toneladas do minério, que é essencial para a fabricação de aço. O crescimento nas importações foi atribuído, em grande parte, às exportações da Austrália em dezembro, que não enfrentaram tantas interrupções climáticas como no ano anterior, conforme apontou Alexis Ellender, analista da empresa de rastreamento de navios Kpler.
A China combina os dados de importação de janeiro e fevereiro para suavizar o impacto do feriado de uma semana do Ano Novo Lunar, que ocorreu em fevereiro deste ano. A melhora da demanda doméstica também foi um fator que apoiou o aumento das importações, segundo analistas.
A produção média diária de ferro-gusa, um indicador da demanda de minério de ferro, cresceu 1,2% em relação ao ano anterior nos dois primeiros meses de 2026. Os dados da consultoria Mysteel mostram que a média mensal foi de 105,01 milhões de toneladas, em comparação com 119,65 milhões de toneladas em dezembro.
Ellender, da Kpler, projeta que as importações de março devem chegar a quase 105 milhões de toneladas. Em contraste, as exportações de aço da China nos dois primeiros meses caíram 8,1% em relação ao ano anterior, totalizando 15,59 milhões de toneladas. Essa queda se deve às exigências de licenças de exportação, que reduziram a velocidade dos embarques.
Em dezembro, o governo de Pequim anunciou um plano para implantar um sistema de licenças a partir de 2026, com o objetivo de regular as exportações siderúrgicas, após um aumento significativo nos embarques que gerou uma reação protecionista global.


