As importações de soja pela China caíram 7,8% nos dois primeiros meses de 2026, totalizando 12,55 milhões de toneladas. A queda reflete a lentidão nas colheitas do Brasil e a demora no desembaraço aduaneiro, conforme apontam analistas.
A expectativa é que as importações se recuperem nos próximos meses, com a chegada de mais carregamentos dos EUA e o avanço da safra recorde do Brasil. Rosa Wang, analista da agroconsultoria JCI, informou que as chegadas de janeiro e fevereiro foram cerca de 1 milhão de toneladas acima do esperado.
As chegadas de março estão estimadas em cerca de 6,4 milhões de toneladas, em comparação com 3,5 milhões de toneladas no mesmo mês do ano passado. Wang destacou que a maioria dos carregamentos iniciais dos EUA chegou apenas no final de fevereiro, limitando seu impacto.
Liu Jinlu, pesquisador agrícola da Guoyuan Futures, afirmou que a logística atrasada e a demora no desembaraço aduaneiro restringiram ainda mais as importações. Ele acredita que, com a ampla oferta sul-americana, as importações domésticas de soja devem melhorar nos próximos meses.
As tensões comerciais atrasaram as compras chinesas da safra de soja de outono dos EUA até o final de outubro. Desde então, a China importou cerca de 12 milhões de toneladas de soja dos EUA, sinalizando boa vontade antes de uma cúpula esperada nas próximas semanas.
No mês passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, mencionou que a China estava considerando comprar mais 8 milhões de toneladas de soja dos EUA, embora comerciantes permaneçam céticos devido aos preços mais altos.
No Brasil, até a última quinta-feira, os agricultores haviam colhido 51% da safra de soja 2025/26, segundo a consultoria de agronegócios AgRural. Este número representa um aumento de 12 pontos percentuais em relação à semana anterior, mas está abaixo dos 61% registrados no ano passado.


