Os fluxos globais de armas cresceram quase 10% nos últimos cinco anos, com a Europa mais do que triplicando suas importações. Os dados são do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri) e foram divulgados nesta segunda-feira, 9 de março de 2026.
A Europa se tornou o maior destino de armas do mundo, pela primeira vez desde os anos 1960. Entre 2021 e 2025, os países europeus responderam por 33% das importações globais de armas, um aumento significativo em comparação aos 12% registrados entre 2016 e 2020.
Mathew George, diretor do Programa de Transferências de Armas do Sipri, afirmou:
““As entregas para a Ucrânia desde 2022 são o fator mais evidente, mas a maioria dos outros países europeus também começou a importar muito mais armas para reforçar suas capacidades militares, contra uma ameaça percebida em crescimento por parte da Rússia.””
As regiões que mais receberam armas, além da Europa, foram Ásia e Oceania (31%), Oriente Médio (26%), Américas (5,6%) e África (4,3%). Nas Américas, o crescimento foi de 12%, com o Brasil recebendo 21% do total importado na região, atrás apenas dos Estados Unidos (52%). O Brasil é o vigésimo quarto fornecedor de armas no mundo, com 0,3% do total global, e o vigésimo quinto importador, com 1,2% do total global.
Quase metade das armas destinadas à Europa (48%) vieram dos Estados Unidos, seguidos pela Alemanha (7,1%). Os Estados Unidos são os principais exportadores do mundo, respondendo por 42% de todas as transferências internacionais de armas no período analisado, um aumento em relação aos 36% registrados nos cinco anos anteriores. Pieter Wezeman, pesquisador sênior do Sipri, comentou:
““Os EUA consolidam ainda mais seu domínio como fornecedor de armas, mesmo em um mundo cada vez mais multipolar.””
A Alemanha superou a China e se tornou o quarto maior exportador de armas entre 2021 e 2025, com 5,7% das exportações globais. Em segundo e terceiro lugar estão, respectivamente, França (9,8%) e Rússia (6,8%). A Rússia viu uma queda abrupta de 64% nas exportações durante o período, em meio à guerra na Ucrânia.
A Polônia, que faz fronteira com a Ucrânia e Belarus, é o maior importador de armas entre os Estados-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Europa, com um aumento de 852% nas importações. Apesar de discursos sobre a necessidade de autossuficiência, as transferências entre países europeus representaram apenas um quinto dos fluxos totais.
As exportações da Alemanha para a Ucrânia representaram quase um quarto (24%) de suas vendas, enquanto apenas 17% foram para outros países europeus. A Alemanha impôs um embargo parcial à venda de armas para Israel, que foi suspenso três meses depois, condicionando a retomada à manutenção do cessar-fogo entre Israel e Hamas.
As importações de armas para o Oriente Médio caíram 13%, mas a Arábia Saudita respondeu por 6,8% das importações globais. A região continua em conflito, e as tensões geopolíticas podem afetar novos contratos de armas. A China e a Índia estão investindo em produção própria de tecnologia de defesa, o que contribuiu para a queda das exportações russas, que caíram 72%.


