A Ilha de Kharg, alvo recente de ataques dos EUA, é vital para a economia do Irã, sendo responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do país. Na sexta-feira (13), os EUA atacaram instalações militares na ilha, mas locais relacionados ao comércio de petróleo não foram atingidos, conforme informações de autoridades americanas e da mídia estatal iraniana.
A ilha, localizada a apenas 25 quilômetros da costa do Irã, é uma formação de coral com cerca de um terço do tamanho de Manhattan. Ela processa a maior parte das exportações de petróleo do Irã, recebendo milhões de barris de petróleo bruto diariamente de campos como Ahvaz, Marun e Gachsaran. Conhecida como a “Ilha Proibida”, a Kharg possui longos cais que permitem a acomodação de superpetroleiros.
Um documento da CIA de 1984 já destacava a importância da ilha, afirmando que suas instalações são “as mais vitais do sistema petrolífero iraniano”. O líder da oposição israelense, Yair Lapid, afirmou que destruir o terminal “paralisaria a economia do Irã e derrubaria o regime”. O Irã fornece cerca de 4,5% do petróleo mundial, bombeando 3,3 milhões de barris de petróleo bruto diariamente.
Após os ataques, Trump anunciou que as forças armadas dos EUA realizaram um bombardeio significativo na ilha, focando em instalações militares, mas evitando a infraestrutura petrolífera. O Irã registrou mais de 15 explosões, mas afirmou que nenhuma infraestrutura petrolífera foi danificada. Trump também ameaçou atacar os ativos petrolíferos da ilha se o Irã continuar bloqueando a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.
O Irã declarou que qualquer ataque à sua infraestrutura de petróleo resultará em retaliações contra instalações de empresas petrolíferas aliadas dos EUA. O ex-brigadeiro-general do Exército dos EUA, Mark Kimmitt, comentou que a situação agora envolve a tentativa de eliminar a força vital da economia iraniana, mantendo a ilha como “refém” para garantir a passagem de navios.
Se a infraestrutura petrolífera da Kharg for atacada, o Irã poderá levar meses ou mais de um ano para reconstruí-la, segundo analistas. A China, principal compradora do petróleo iraniano, seria a mais afetada. O Irã já atacou tanques de armazenamento em Omã e Bahrein, e a Guarda Revolucionária Islâmica ameaçou incendiar a infraestrutura de petróleo e gás da região se suas instalações forem atacadas.
Os ataques à Kharg ocorreram no mesmo dia em que os EUA anunciaram o envio de uma unidade de resposta rápida da Marinha para o Oriente Médio, composta por cerca de 2.500 fuzileiros navais e marinheiros. A utilização dessa força ainda não está clara, mas pode envolver missões de retirada em larga escala ou operações anfíbias.


