Indústria, comércio e sindicatos criticam redução da Selic para 14,75%

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, gerou críticas de diversos segmentos da economia.

As entidades do setor produtivo consideram a medida correta, mas insuficiente para enfrentar os principais obstáculos ao crescimento. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que o corte não é capaz de interromper a desaceleração da atividade econômica, destravar investimentos ou aliviar o endividamento das famílias.

““Essa cautela do Banco Central ainda é excessiva e seguirá penalizando ainda mais nossa economia”, disse Ricardo Alban, presidente da CNI.”

A CNI também destacou que a inflação acumulada em 12 meses desacelerou e as projeções estão dentro da meta, enquanto a taxa de juros real permanece elevada, acima do nível considerado neutro. Isso sugere que a política monetária continua excessivamente restritiva, mesmo com sinais de arrefecimento dos preços.

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A Fecomércio-SP comentou que o início do ciclo de queda da Selic ocorreu em meio a incertezas internas e externas, limitando a intensidade do corte. “O ciclo de redução da Selic começou, mas a duração e a intensidade dos cortes são cada vez mais incertas”, afirmou a entidade.

A inflação de serviços continua pressionada e o cenário internacional, com a alta do petróleo, pode dificultar uma queda mais rápida dos juros. As incertezas globais, como o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, elevaram os preços do petróleo e aumentaram os riscos inflacionários.

““A desaceleração da atividade econômica acabou pesando mais, justificando uma política monetária menos contracionista, porém cautelosa”, afirmou Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).”

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) considera que o corte é insuficiente para aliviar o peso das dívidas. “A medida anunciada é insuficiente para reverter esse quadro”, disse Gustavo Cavarzan, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A Força Sindical também avaliou que o Banco Central errou na intensidade do corte. O presidente da entidade, Miguel Torres, ressaltou que a manutenção da Selic em patamares elevados prejudica as negociações salariais neste primeiro semestre.

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Apesar do início do ciclo de queda, há um consenso entre as entidades de que o ritmo das próximas decisões será crucial. Para a indústria, comércio e trabalhadores, uma redução mais intensa da Selic é vista como essencial para reativar o crescimento, estimular investimentos e reduzir o endividamento na economia brasileira.

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