O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 0,70% em fevereiro, conforme divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (12). O resultado ficou acima da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,63%, mas não deve impedir o início do ciclo de cortes da taxa Selic, segundo análise de Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay.
De acordo com Ariane, o início do ciclo de redução da taxa básica de juros é iminente, apesar do IPCA ter vindo um pouco acima do esperado. “Pode mudar ao longo da curva a magnitude para frente desses cortes, mas a gente acha que o início do ciclo é iminente, por conta da defasagem da política monetária”, afirmou.
A economista destacou que a alta da inflação em fevereiro foi impulsionada por fatores sazonais, como reajustes no setor de educação e aumento nos preços de passagens aéreas no grupo de transportes. Segundo ela, esses efeitos tendem a ser dissipados nas próximas medições, mantendo a trajetória de desaceleração da inflação.
Um ponto de preocupação para os próximos meses é o possível impacto do conflito no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis no Brasil. Ariane explicou que já existe uma defasagem de 17% no preço da gasolina em relação ao mercado internacional, que foi incorporada nas projeções de inflação de 3,7% para 2026 feitas pelo PicPay antes do conflito. “A gente ainda está num momento muito volátil do preço do petróleo e se a gente começar a marcar dia após dia para onde vai a inflação com essa volatilidade, a gente acaba perdendo a parametrização de médio e longo prazo do cálculo de inflação”, ponderou a economista.
Sobre a decisão do Banco Central prevista para a próxima semana, Ariane acredita que a autoridade monetária manterá o corte de 0,50 ponto percentual na Selic. “A gente não espera que o Banco Central mude o corte, nem mesmo a magnitude. A gente acha que o Banco Central corta 50 pontos e está muito precoce para a gente falar de qualquer inversão de cenário”, concluiu.
Para o mercado financeiro, a economista projeta que o IPCA acima do esperado deve ser precificado na abertura dos negócios, mas o noticiário sobre o conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre o preço do petróleo terá peso maior ao longo do dia. “Se a gente colocar na balança, diria que 70% seria noticiário e 30% IPCA”, finalizou.


