Inteligência Artificial consegue decodificar pensamentos de fala interna

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

Pesquisadores da Universidade Stanford, nos EUA, publicaram um estudo em agosto de 2025 que demonstrou a capacidade de decodificar padrões neurais associados à fala interna, ou seja, palavras apenas pensadas, utilizando modelos de inteligência artificial (IA). O trabalho, publicado na revista Cell, envolveu quatro pacientes com paralisia grave causada por ELA ou AVC de tronco encefálico.

Os cientistas registraram sinais de microeletrodos implantados no córtex motor da fala e descobriram que tanto a tentativa de falar quanto a imaginação de palavras ativavam áreas cerebrais sobrepostas. A equipe treinou modelos de IA para interpretar palavras imaginadas, alcançando 74% de precisão na decodificação de frases de um vocabulário de até 125 mil termos.

Enquanto isso, a empresa Neuralink, de Elon Musk, desenvolve interfaces cérebro-computador (BCIs) implantáveis, focando na decodificação de intenções motoras. No entanto, a pesquisa sobre fala interna mostra que é possível identificar elementos de linguagem na atividade cerebral sem movimento físico, deslocando o foco das BCIs para conteúdos simbólicos da experiência mental.

Além do estudo de Stanford, um trabalho liderado por Yu Takagi, do Nagoya Institute of Technology, busca reconstruir imagens percebidas a partir de sinais cerebrais. Publicado na revista Neural Networks, o estudo combina ressonância magnética funcional com modelos generativos de IA, permitindo que os pesquisadores registrassem padrões de atividade no córtex visual enquanto os participantes observavam imagens.

Em 2025, Takagi também publicou um estudo que utilizou um modelo generativo de áudio para reproduzir sons a partir de fMRIs captadas enquanto participantes ouviam música. A neuroengenheira Maitreyee Wairagkar, da Universidade da Califórnia, em Davis, conseguiu decodificar aspectos não verbais da fala, como entonação e ritmo, permitindo transmitir emoções através de melodias mentais.

As aplicações dessas pesquisas são vastas, incluindo a possibilidade de entender condições psiquiátricas complexas e até mesmo a reconstrução de sonhos. No entanto, Takagi alerta para as questões éticas que surgem com esses avanços, que podem levar entre dez e vinte anos para se consolidar.

Compartilhe esta notícia