Inteligência Artificial impulsiona receita do agronegócio no Brasil, aponta estudo

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

A Inteligência Artificial (IA) já está contribuindo para o aumento da receita do agronegócio brasileiro, com melhorias na operacionalização e administração de negócios do setor. A aplicação de tecnologias mediadas por IA visa a automação de processos, estratégia e produtividade, e, segundo empresas do setor, já apresenta resultados financeiros positivos.

De acordo com a 29ª Global CEO Survey, realizada pela PwC, 33% das empresas do agronegócio atribuem o aumento de receita ao uso de IA. A pesquisa também indica que 60% dos CEOs preveem uma menor necessidade de profissionais em início de carreira nos próximos três anos. A IA tem consolidado investimentos em áreas como identificação e controle de pragas, irrigação, qualidade do solo, zoneamento e pulverização, resultando em uma diminuição da necessidade de trabalho manual, o que impacta o mercado de trabalho.

Apesar dos altos custos de investimento, a modernização do campo continua sendo uma prioridade para os empresários. O levantamento da PwC revela que a retirada de apoio ou investimento em IA é mencionada por 8% dos líderes do setor, uma preocupação menor em comparação a outros aspectos. Além das atividades de cultivo, a administração de recursos e o planejamento de safra também são impulsionados por tecnologias baseadas em IA.

Guilherme Bastos, coordenador da FGV Agro, destaca três eixos de avanço da IA no agronegócio: operacional, gerencial e estratégico. Ele explica: “No nível gerencial, há o controle de custo, gestão de estoque, planejamento da safra e até a especificação da safra para determinada cultura. No eixo estratégico, consideramos a previsão de preços, modelagem e rastreabilidade de origem, não só dos animais, mas também da produção.”

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A agricultura de precisão, que utiliza dados coletados por sensores, drones, satélites e máquinas, identifica a qualidade do solo, a presença de pragas e o desenvolvimento das plantas, tornando o processo menos custoso e mais lucrativo. Bastos afirma: “A demanda global por alimentos exige cuidado ambiental. Quando projetos como o zoneamento climático mediados por IA utilizam a geolocalização, preveem cenários e ajudam em estratégias de contenção de riscos.”

Na pecuária, a IA auxilia no monitoramento da saúde animal, controle nutricional e reprodutivo. Sensores e algoritmos detectam doenças, alterações de comportamento e alimentação, focando na produtividade e bem-estar dos rebanhos. Bastos ressalta que a adoção de tecnologia não elimina empregos, mas reconfigura a necessidade de requalificação e reposicionamento de profissionais, que agora precisam avaliar os resultados gerados por máquinas. “Por mais que processos sejam mais automatizados, há quem alimente, quem avalie o que está sendo produzido. Confiar cegamente na tecnologia ainda não é uma opção para resultados consistentes”, avaliou.

Apesar dos avanços, a adoção da IA na agropecuária enfrenta desafios, como o alto custo inicial, a necessidade de conectividade no meio rural e a capacitação dos produtores. Contudo, à medida que a tecnologia se torna mais acessível, seu uso tende a se expandir rapidamente. O ambiente de alta taxa de juros no Brasil gera cautela em relação a novos investimentos, mas a expectativa de cortes e a retomada de investimentos devem facilitar o acesso a novas tecnologias, garantindo economia com base em dados e informações.

Esteban Huerta, arquiteto de soluções na BlueShift Agro, explica: “Quando o produtor passa a decidir com base em dados do próprio campo, a sustentabilidade deixa de ser discurso e se torna eficiência operacional. Usar a quantidade certa de água e insumos impacta diretamente custos, produtividade e preservação de recursos.”

A metodologia Smart Upgrade, desenvolvida pela Mignow e dirigida por IA, é responsável pela automação de 98% das correções de código na reformulação tecnológica promovida pela Coopercitrus. Segundo a cooperativa, o projeto reduziu mais de 90% do esforço manual. Paulo Secco, CEO da Mignow, afirma: “A Coopercitrus conseguiu realizar uma transformação de larga escala sem comprometer o caixa e com ganhos imediatos de eficiência, também a partir do incentivo financeiro.”

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A automação permitiu que a migração tecnológica fosse concluída em tempo recorde e com redução de 40%, sem interrupção em nenhuma das 190 unidades da cooperativa. A migração para o sistema RISE with SAP, que moderniza processos e infraestrutura em nuvem, foi finalizada em quatro meses. Na prática, os avanços consistentes no uso de IA já revolucionam as atividades do campo, promovendo o desenvolvimento de novas tecnologias e sistemas de produção.

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