A audiência que ouviria o músico Caio Nascimento, réu pelo feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte, foi adiada na tarde de segunda-feira (9) no Fórum de Campo Grande.
O interrogatório não ocorreu devido à ausência de um laudo considerado importante, que é a análise dos celulares dos envolvidos no caso. A audiência de instrução, que ocorreria sob sigilo, seria a primeira oportunidade para o juiz, a defesa e a acusação ouvirem a versão do réu sobre o crime.
O juiz Carlos Alberto de Almeida Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, determinou que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) apresente o laudo dos aparelhos telefônicos antes da realização do interrogatório.
Sem esse documento, a oitiva do réu foi suspensa e ainda não há nova data definida para que Caio Nascimento seja ouvido. Na mesma segunda-feira, um amigo da jornalista prestou depoimento e é considerado vítima de tentativa de homicídio no mesmo caso.
O processo ainda está na fase de audiências e não há prazo para que o julgamento seja marcado. Vanessa Ricarte foi morta a facadas no dia 12 de fevereiro de 2025, em Campo Grande. Dias depois, o Ministério Público denunciou Caio Nascimento pelo crime de feminicídio.
Em 19 de março de 2025, o juiz Carlos Alberto Garcete aceitou a denúncia e o caso passou a tramitar na 1ª Vara do Tribunal do Júri. Segundo o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o processo passou por diversas etapas legais, como apresentação de defesa e realização de audiências, mas a quantidade de recursos e incidentes processuais prolongou a tramitação.
O magistrado afirmou que processos de feminicídio normalmente têm prioridade, mas o caso de Vanessa Ricarte se tornou uma exceção devido ao volume de recursos que precisaram ser analisados. A defesa de Caio Nascimento reconheceu a autoria do feminicídio, mas defende que o réu precisa ser ouvido para apresentar sua versão sobre o dia do crime.
O caso gerou grande repercussão no estado e se tornou um dos episódios mais marcantes do ano passado, levantando debates sobre a necessidade de melhorar o acolhimento e a proteção de vítimas de violência contra a mulher.


