Ad imageAd image

Interrupções e assédio: barreiras enfrentadas por mulheres jovens no trabalho

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Carolina Nucci e Mariam Tapeshashvili relatam as dificuldades enfrentadas por mulheres jovens no mercado de trabalho. Carolina, jornalista de automobilismo, recorda de um episódio em que precisou provar sua competência ao ser questionada sobre sua presença em uma coletiva de imprensa no autódromo de Interlagos. Apesar de ter autorização para estar ali, um fiscal a interpelou com a frase: ‘Mocinha, com essa carinha, certeza que foi algum piloto que te deu essa credencial’. Para ser respeitada, Carolina usou uma aliança falsa de compromisso no início da carreira.

Embora o episódio tenha ocorrido há duas décadas, a realidade permanece. Julgamentos sobre aparência, desconfiança sobre competência e assédio continuam a ser desafios enfrentados por muitas mulheres, especialmente as mais jovens. O relatório Women in the Workplace, da McKinsey & Company e Lean In, revela que quase metade das mulheres com menos de 30 anos sentem que a idade impactou negativamente suas oportunidades de trabalho.

Além disso, 36% afirmam que a idade influenciou na perda de aumentos ou promoções, enquanto entre os homens esse percentual é de 15%. O estudo também indica que, em média, mulheres ocupam apenas 29% dos cargos de alta administração. Mariam Topeshashvili, gerente de uma agência internacional, também enfrentou questionamentos sobre sua capacidade, mesmo após ter se formado na Universidade de Harvard.

O levantamento aponta que 39% das mulheres já foram interrompidas enquanto falavam e 37% relataram ter sofrido assédio sexual ao longo da carreira. Microagressões, que são comentários sutis que colocam em dúvida a competência, são comuns. Uma pesquisa da Todas Group e da Nexus revela que 56% das lideranças femininas acreditam que homens devem interromper falas machistas, mas apenas 35% afirmam ter sido defendidas por homens em situações de preconceito.

A diferença de tratamento entre homens e mulheres é evidente, segundo Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora. Carolina percebeu essa disparidade em sua trajetória, enfrentando comentários de que ‘não era lugar de menina’ ao estudar engenharia química e ouvindo que seus sócios ganhavam mais por serem ‘pais de família’.

O estudo da McKinsey & Company também mostra que mulheres que enfrentam microagressões frequentes têm maior probabilidade de se sentirem esgotadas e considerar deixar o emprego. O fenômeno do ‘degrau quebrado’ descreve a dificuldade que mulheres enfrentam para conquistar a primeira promoção para cargos de liderança, ampliando a desigualdade nos níveis mais altos.

Para enfrentar essas barreiras, Mariam e Carolina defendem a importância de denunciar situações de assédio e buscar apoio em redes de mentoria. ‘Não deixe essas situações passarem. Informe seu gestor’, orienta Mariam. Carolina acrescenta que é fundamental ter um plano e manter comunidades de apoio, ressaltando que ‘mulheres não competem, se ajudam’. Ana Fontes destaca a busca constante por conhecimento como parte da estratégia para superar desafios no ambiente de trabalho.

Compartilhe esta notícia