Investigação do caso Master afeta políticos na Bahia antes das eleições

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

As investigações sobre o escândalo de corrupção do banco Master têm afetado políticos de diferentes espectros na Bahia. Entre os implicados estão o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União-BA), e o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A situação deve ser utilizada como arma política nas eleições estaduais de outubro, onde Neto é candidato ao governo contra o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), e Wagner pretende disputar uma vaga no Senado.

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do banco Master e da gestora de recursos Reag entre março de 2023 e maio de 2024. O político afirma que o valor se refere a serviços de consultoria prestados. Por outro lado, Wagner está implicado porque a empresa de sua nora, a BK Financeira, teria recebido R$ 11 milhões do Master. Wagner nega ter conhecimento da investigação e afirma que nunca participou de negociações em favor da empresa.

Além disso, Wagner privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que possui a rede de supermercados Cesta do Povo, arrematada em 2018 por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco Master. Lima deixou o Master em 2023, levando consigo ativos do leilão promovido pela gestão de Rui Costa, incluindo o Credcesta, cartão de crédito consignado para servidores e aposentados.

Desde que as investigações vieram à tona, políticos de direita e esquerda têm trocado acusações, com um tom eleitoral que promete intensificar as disputas até outubro. Na sexta-feira, 13, Wagner afirmou que novos fatos envolvendo a oposição devem ser divulgados em breve, prevendo que isso prejudicará a campanha de ACM Neto.

- Publicidade -

““Notícia ruim sempre compromete uma caminha [política] que se está fazendo. E, pelo que estou sabendo, é só o começo, só a ponta do iceberg, tem mais coisa a caminho”,”

declarou.

O atual prefeito de Salvador, correligionário de ACM Neto, defendeu o ex-prefeito, questionando:

““Você já viu alguém fazer coisa errada, receber na conta e declarar no imposto de renda?””

Ele destacou que os valores recebidos por Neto foram declarados e que os serviços de consultoria foram oferecidos em um período sem suspeitas de irregularidade contra o banco.

- Publicidade -

Nas redes sociais, políticos bolsonaristas também entraram na dinâmica de acusações, afirmando que o escândalo do Master teve origem no PT da Bahia.

““O escândalo do Banco Master não é um acaso. É mais um capítulo do projeto de poder do PT. Da Bahia ao Planalto, vemos o mesmo padrão de aparelhamento e corrupção. Padrão PT. O Brasil já viu esse filme e sabe quem sempre paga a conta”,”

escreveu Rogério Marinho, coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, que aparece atrás nas pesquisas de intenção de voto contra ACM Neto, também manifestou sua intenção de usar o caso a seu favor:

““Espero que a Justiça tome conta, acompanhe, monitore e mostre para a gente de fato a realidade. Eu aguardo que a Justiça faça o seu papel, esse é um tema muito sério””

.

A equipe de campanha de ACM Neto considera que será necessário cautela diante da situação, buscando superá-la por meio de estratégias de marketing eleitoral, sob a responsabilidade de João Santana, ex-marqueteiro do PT.

Compartilhe esta notícia