A Polícia Civil iniciou uma investigação sobre um suposto esquema que desviou mais de R$ 5,1 milhões em recursos públicos da Prefeitura de Tocantinópolis para o Tocantinópolis Esporte Clube. A operação começou após um relatório indicar movimentações atípicas nas contas dos investigados.
Nesta quinta-feira (12), foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos endereços do prefeito Fabion Gomes (PL) e do presidente do clube, Leandro Pereira de Sousa, sargento da PM. A polícia também esteve na sede do clube, em secretarias do município e no gabinete do prefeito.
O prefeito Fabion Gomes afirmou, em vídeo nas redes sociais, que os pagamentos ao time foram cancelados durante sua gestão por ordem judicial. Ele explicou que os repasses de gestões anteriores foram realizados com base em uma legislação municipal. O presidente Leandro Pereira declarou que o clube não recebe repasses da prefeitura desde que assumiu a presidência em janeiro de 2025.
A investigação apura crimes de peculato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou saques elevados e circularidade de valores entre contas, além de recebimentos incompatíveis com a renda declarada.
Os investigados teriam montado um esquema contínuo de desvio de recursos públicos, que eram repassados ilegalmente do município para o clube. Após entrarem na conta do Tocantinópolis Esporte Clube, os valores eram redistribuídos entre dirigentes e terceiros, com indícios de lavagem de capitais.
As apurações da polícia indicaram que o desvio de verbas era estruturado em três eixos principais: repasses irregulares, utilização do clube como uma entidade de fachada e lavagem de dinheiro. Os gestores municipais autorizavam transferências de recursos ao clube, ignorando decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE/TO) que já haviam apontado a ilegalidade dessas ações.
Além disso, a polícia encontrou indícios de falsificação de documentos, como atas e recibos, para simular a legalidade das transferências. O fluxo de repasses investigado ocorre desde 2009 até 2024, com irregularidades conhecidas pelas autoridades desde 2007.
Durante a operação, foram apreendidos documentos administrativos, dispositivos eletrônicos e registros contábeis. O nome da operação, 2º Tempo, refere-se ao combate a esquemas ilícitos que utilizam o esporte como meio para práticas criminosas.
Leandro Pereira, presidente do Tocantinópolis, comentou sobre a situação, afirmando que os repasses eram realizados com base em uma lei municipal que autorizava a transferência de 30 salários mínimos mensais ao clube. Ele destacou que, desde a liminar que suspendeu os repasses em dezembro de 2024, não houve mais transferências.


