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Investigação revela tentativa do Comando Vermelho de criar comando nacional do crime

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) identificou uma tentativa do Comando Vermelho (CV) de criar um “comando nacional do crime” por meio de alianças com outras facções, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os investigadores relataram que a iniciativa visava estabelecer uma coordenação entre diferentes grupos criminosos atuantes em estados distintos, com acordos de cooperação e divisão de áreas de atuação.

O delegado Pedro Cassundé, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro, afirmou: “Percebemos que o Comando Vermelho já vinha tentando, há algum tempo, coligar siglas diferentes para estabelecer um comando nacional de organização criminosa”.

Ele revelou que um acordo foi firmado em fevereiro de 2025, especificamente no dia 22, quando as facções conseguiram selar um acordo de paz e ajuda mútua nas fronteiras do país.

Contudo, a articulação enfrentou dificuldades internas e se enfraqueceu após conflitos entre as facções. “A gente reconhece que eles entraram em conflitos. Os próprios diálogos e sanções aplicadas levaram a alguns homicídios, e isso acabou se diluindo”, explicou o delegado.

Apesar dos desafios, Cassundé destacou que a tentativa de articulação pode ser retomada no futuro: “Essa foi uma tentativa. Isso quer dizer que eles podem tentar de novo”.

A investigação também revelou que a interlocução entre facções era realizada por integrantes com cargos específicos, como Arnaldo da Silva Dias, conhecido como Naldinho ou Samurai, que atuava como porta-voz e mediador de conflitos. Ele está atualmente preso em um presídio federal em Catanduvas (SC).

A Operação Contenção Red Legacy revelou a existência de um estatuto interno do CV e uma estrutura hierárquica formal, com cargos definidos e um conselho nacional. O traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, é apontado como presidente do conselho, mesmo após mais de três décadas preso.

O secretário da PCERJ, Felipe Curi, afirmou que as investigações demonstram o alcance e a organização da facção: “Nós temos provas de que o Comando Vermelho se aliou ao PCC e também a diversas outras facções criminosas atuantes em todo o país. Isso mostra a grande nocividade que essa facção tem”.

Curi defendeu que essas organizações sejam tratadas como grupos narcoterroristas: “Trata-se de um grupo narcoterrorista. Insisto nisso porque ainda há autoridades e legisladores que se recusam a reconhecer o Comando Vermelho, o PCC e outras facções como organizações com esse caráter”.

A investigação também revelou conexões nacionais e internacionais da facção, além de um esquema complexo de lavagem de dinheiro, incluindo o uso de fintechs para movimentação de recursos.

A Operação Contenção Red Legacy resultou na prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD) e de seis policiais militares suspeitos de envolvimento com a organização criminosa. A assessoria jurídica do parlamentar aguarda esclarecimentos das autoridades, enquanto a PM afirmou que “não tolera desvios de conduta ou crimes cometidos por seus integrantes” e que pune rigorosamente os responsáveis quando as irregularidades são comprovadas.

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