As investigações envolvendo o Banco Master ganharam novos contornos e passaram a atingir diretamente o coração do sistema financeiro brasileiro: o Banco Central. No programa Mercado, o editor da Veja Negócios, Diogo, e o sócio da GT Capital, Marcos Labarthe, detalharam as suspeitas de que servidores do Banco Central teriam atuado para favorecer o Master — um episódio que já é tratado como um dos mais graves da história recente do setor.
Segundo Diogo, a apuração aponta que dois funcionários de alto escalão do Banco Central teriam recebido dinheiro para atuar internamente em favor da instituição financeira. “A suspeita é que eles prestavam uma espécie de consultoria informal ao Banco Master”, explicou. Na prática, isso significaria que servidores responsáveis pela fiscalização do sistema financeiro estariam ajudando justamente um banco que deveria ser supervisionado.
O caso teria provocado tensão até dentro do próprio Banco Central. De acordo com o jornalista, um dos servidores investigados chegou a entrar em choque com a cúpula da instituição. “Houve conversas ríspidas com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, justamente por divergências sobre o tratamento dado ao Master”, relatou Diogo. Ainda assim, ele afirmou que o BC acabou agindo de forma cautelosa ao reunir informações e repassá-las à Polícia Federal.
As investigações ganharam contornos ainda mais dramáticos após o suicídio de um homem ligado ao caso enquanto estava sob custódia policial. Para Diogo, os elementos levantados até agora indicam algo muito mais amplo. “As investigações apontam para uma atuação mafiosa nesse esquema”, afirmou, sugerindo que o caso pode envolver práticas típicas de organizações criminosas.
No mercado financeiro, as suspeitas não surpreenderam completamente. O sócio da GT Capital, Marcos Labarthe, afirmou que o Banco Master sempre despertou desconfiança entre investidores e analistas. “O mercado sempre olhou para o Master como um bicho esquisito, é um caso de bizarrices”, disse. Segundo ele, chamava atenção o fato de um banco de porte médio conseguir emitir grandes volumes de títulos, como CDBs e LCAs, pagando taxas muito acima das praticadas por concorrentes.
Para Labarthe, as investigações ajudam a explicar o que muitos já suspeitavam. “Agora aparece que havia muitos ativos podres sendo usados para dar sustentação a essas operações”, afirmou. Ele também criticou a demora na intervenção das autoridades: “Se tivesse uma lupa maior antes, talvez esses problemas aparecessem mais cedo”. Na avaliação do especialista, o caso pode ser apenas a ponta do iceberg de uma crise que ainda deve revelar novos desdobramentos no sistema financeiro.

