Investimento estrangeiro na bolsa brasileira atinge R$ 42,56 bilhões até fevereiro

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Os investidores estrangeiros movimentaram R$ 401,6 bilhões em compras e R$ 385,5 bilhões em vendas na bolsa brasileira em fevereiro de 2026. Isso resultou em uma entrada líquida de R$ 16,09 bilhões no mercado nacional, conforme levantamento da consultoria Elos Ayta.

Com o resultado positivo de R$ 26,47 bilhões registrado em janeiro, o total de recursos de estrangeiros injetados no mercado financeiro brasileiro até o momento é de R$ 42,56 bilhões. Esse montante é ligeiramente superior ao valor de mercado da Raia Drogasil, que está em torno de R$ 41,8 bilhões.

O CEO da Elos Ayta, Einar Rivero, destacou que o número é impressionante por três razões. Primeiro, é 1,58 vez superior ao fluxo registrado em 2025, que terminou com entrada líquida de R$ 26,87 bilhões. Segundo, 2026, ainda em fevereiro, está em patamar próximo a anos inteiros considerados fortes para a bolsa. Terceiro, o movimento revela uma mudança de intensidade no comportamento do capital internacional.

Rivero observou que houve uma “mudança de escala operacional do investidor estrangeiro na B3”. Janeiro de 2026 foi o maior fluxo mensal desde janeiro de 2022, considerando IPOs e follow-ons, enquanto fevereiro ficou como o oitavo melhor do período.

O CEO também ressaltou que “o impacto foi direto na pontuação do Ibovespa”, lembrando os recordes seguidos que o principal indicador da bolsa renovou recentemente. Mesmo excluindo o efeito de operações estruturadas, “o fluxo é essencialmente de mercado secundário, compra líquida de ações já listadas”, afirmou Rivero.

Após um 2024 difícil para o mercado, quando o Ibovespa caiu 10%, o analista destacou que “o dado mais relevante é a velocidade da reversão: após um 2024 negativo, o fluxo volta em 2025 e acelera significativamente em 2026”. Esse padrão sugere não apenas um ajuste tático, mas uma possível reprecificação estrutural de risco Brasil.

Einar Rivero apresentou quatro “hipóteses consistentes” que explicam por que o investidor estrangeiro está colocando dinheiro no Brasil. A primeira é a teoria do diferencial de juros e carry trade, onde países com juros mais altos atraem capital de países com juros mais baixos. A segunda é a teoria da reprecificação relativa, que sugere que mercados emergentes ficam “mais baratos” após períodos de baixa performance.

A terceira hipótese é o efeito portfólio global, onde gestores buscam diversificação e o Brasil, quando barato e com liquidez, volta a ser uma alocação estratégica. A quarta hipótese envolve ciclos de liquidez global, onde a migração de capital para ativos de maior beta, como ações brasileiras, ocorre quando o dólar perde força ou as condições financeiras globais se afrouxam.

Rivero concluiu que “o comportamento atual parece combinar os quatro vetores: prêmio real elevado, múltiplos comprimidos nos anos anteriores, melhora de percepção relativa e maior apetite a risco”.

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