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IPAM propõe remuneração ao setor produtivo para conter desmatamento legal

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) divulgou um estudo com o objetivo de conter o desmatamento legal no Brasil. A proposta visa remunerar o setor produtivo para manter intactos os 9 milhões de hectares da Amazônia Legal, área equivalente ao tamanho do Estado de Santa Catarina.

O artigo foi publicado na revista científica internacional Frontiers e apresenta três modelos de negócios escaláveis. O estudo é resultado da experiência com o CONSERV, iniciativa do IPAM que, entre 2021 e 2024, garantiu a conservação de 20.707 hectares de vegetação nativa na Amazônia e no Cerrado brasileiros.

Durante quatro anos, os proprietários de terras receberam um pagamento anual proporcional ao hectare de vegetação nativa preservado voluntariamente, acima do exigido pelo Código Florestal Brasileiro. Com as descobertas, foram desenvolvidas uma estrutura conceitual e uma metodologia testada em campo, além de caminhos para ampliação por investidores privados e gestores públicos.

O primeiro modelo citado no artigo é o de crédito de carbono. Nesse caso, o CONSERV aproveitaria o desenvolvimento dos mercados de carbono para atrair recursos para a conservação. Os pagamentos seriam realizados em troca da proteção ou do aumento dos estoques de carbono na vegetação nativa.

O segundo modelo está relacionado ao setor de commodities. O subsídio poderia ser um financiamento pré-competitivo por comerciantes de commodities que buscam garantir acesso ao mercado e reduzir impactos climáticos, ou um financiamento pós-competitivo na forma de preço agregado para produtos agrícolas diferenciados pelas práticas de desmatamento zero.

O terceiro modelo, de crédito sustentável, propõe compensar os participantes do CONSERV pela proteção de florestas passíveis de desmatamento legal, oferecendo acesso a empréstimos em condições mais favoráveis. Esses investimentos aumentariam os lucros gerais da fazenda a longo prazo, reduzindo a pressão por futuros desmatamentos.

André Guimarães, diretor executivo do IPAM e um dos autores do estudo, afirmou:

““É preciso acabar com todo tipo de desmatamento, legal e ilegal. Se não ampliarmos o leque de ofertas de recursos para a conservação, por meio de incentivos, a segurança alimentar do planeta pode estar comprometida.””

O IPAM ressalta que a vegetação nativa é responsável por serviços ecossistêmicos essenciais ao sistema agrícola, como a regulação do clima. Para cada grau de aumento na temperatura, a produção de soja pode cair 6%, enquanto a do milho pode reduzir em 8%. Alterações climáticas estão associadas a eventos extremos e perturbações nos regimes de chuvas, resultando em perdas para a produção agrícola.

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