Irã ameaça retaliar após ataque à Ilha de Kharg

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

O Irã declarou que qualquer ataque à sua infraestrutura de petróleo e energia resultará em retaliações contra instalações na região que pertencem a empresas petrolíferas com participação americana ou que cooperam com os EUA. A afirmação foi feita na noite de sexta-feira (13), horário de Brasília, e foi reportada pela mídia estatal, citando o quartel-general do comando militar de Khatam al-Anbiya, em Teerã.

A declaração surgiu após o presidente americano, Donald Trump, anunciar que os EUA atacaram alvos militares na Ilha de Kharg, que é responsável pela maior parte das exportações de petróleo bruto do Irã. Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que o Comando Central dos EUA “executou um dos bombardeios mais poderosos da história do Oriente Médio, obliterando completamente todos os alvos militares” da ilha.

Trump também mencionou que decidiu não destruir a infraestrutura petrolífera da ilha “por razões de decência”, mas ameaçou reconsiderar essa decisão caso o Irã ou qualquer outro país interfira na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.

A Ilha de Kharg, localizada a cerca de 30 km da costa do Irã, no Golfo Pérsico, é crucial para o regime iraniano, sendo o principal terminal para exportação de petróleo do país. Ela processa 90% do petróleo cru exportado pelo Irã.

Segundo Gilvan Bueno, analista, as receitas de exportação de petróleo representam entre 25% e 40% do orçamento do regime iraniano. A Ilha de Kharg não é apenas um terminal logístico, mas “a principal avenida de crescimento financeiro do regime”. A ilha recebe petróleo por oleoduto dos maiores campos produtores do Irã, incluindo Ahvaz, Marun e Gachsaran.

A capacidade de armazenamento em Kharg é estimada em cerca de 30 milhões de barris. Atualmente, aproximadamente 18 milhões de barris de petróleo bruto estão armazenados na ilha, o que equivale a cerca de 10 a 12 dias de exportações em condições normais.

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