Irã realiza ataques a curdos no Iraque, aliados dos EUA, em escalada de conflito

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Na quinta-feira, 5 de março de 2026, o Irã anunciou ataques a grupos curdos no Iraque, aliados dos Estados Unidos, gerando preocupações sobre uma possível ampliação do conflito no Oriente Médio.

As forças iranianas lançaram mísseis contra os quartéis-generais das forças curdas na região autônoma do Curdistão iraquiano, onde estão presentes tropas americanas. Um comunicado militar, divulgado pela agência de notícias estatal IRNA, afirmou: “Atacamos com três mísseis os quartéis-generais dos grupos curdos contrários à revolução no Curdistão iraquiano”.

Os bombardeios resultaram na morte de um integrante de um grupo curdo iraniano no exílio, conforme relatado por um porta-voz. Autoridades iranianas já haviam feito advertências antes dos ataques. “Os grupos separatistas não devem imaginar que soprou um novo vento e tentar agir”, disse Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.

A Casa Branca desmentiu informações sobre um suposto plano de armar milícias curdas contra o Irã. No entanto, confirmou que o presidente Donald Trump conversou com “lideranças curdas” em uma base americana no norte do Iraque.

O conflito se intensificou após os Estados Unidos e Israel iniciarem uma ofensiva em larga escala contra o Irã, que é acusado de tentar desenvolver armas atômicas. A República Islâmica respondeu com lançamentos de drones e mísseis contra Israel e alvos dos EUA e aliados no Golfo.

Cidades como Dubai e Riade foram afetadas, com embaixadas dos EUA fechadas, turistas bloqueados e milhares de voos cancelados. O Líbano também foi arrastado para o conflito, com a milícia Hezbollah atacando bases israelenses em apoio ao Irã.

Na quarta-feira, um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano no Oceano Índico, resultando em pelo menos 87 mortos. Além disso, um ataque iraniano a um petroleiro americano próximo ao Estreito de Ormuz pode agravar ainda mais a situação.

A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, alertou que a guerra está colocando a economia mundial à prova. A Coreia do Sul anunciou um fundo milionário para estabilização do mercado após uma queda histórica da Bolsa de Seul, enquanto a China pediu a suspensão das exportações de diesel e gasolina.

Washington e Israel afirmaram que a capacidade de resposta do Irã está se esgotando, com um porta-voz do Exército israelense afirmando que o número de mísseis lançados contra Israel diminui “a cada dia”. Trump declarou: “Agora estamos em uma posição de força”.

Apesar disso, o Irã lançou novas salvas de mísseis contra Israel, embora os ataques não tenham causado vítimas. Tel Aviv também realizou novos ataques aéreos contra Teerã e o Líbano.

Teerã está deserta, com cerca de 100 mil moradores fugindo da capital, segundo as Nações Unidas. Um residente local relatou: “Teerã está tão deserta quanto ontem. Há controles de patrulhas policiais por todos os lados”.

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