As Forças Armadas do Irã alertaram que instalações no Mar Vermelho utilizadas pela Marinha dos EUA serão consideradas “alvos potenciais”. Esta é a primeira ameaça explícita de Teerã contra a presença militar americana na via marítima.
“A presença do porta-aviões americano Gerald R. Ford no Mar Vermelho é considerada uma ameaça ao Irã”, afirmou o Comando Militar Unificado do Irã nesta segunda-feira (16), segundo a agência de notícias semioficial iraniana Fars.
“Portanto, centros logísticos e de serviços que dão suporte ao referido grupo naval no Mar Vermelho serão considerados alvos potenciais pelas Forças Armadas do Irã”, acrescentou.
O Mar Vermelho abriga diversos portos sauditas que movimentam exportações de petróleo e outras cargas comerciais. A Arábia Saudita tem aumentado as exportações de petróleo de Yanbu e de outros terminais em sua costa no Mar Vermelho, em meio a uma paralisação quase completa do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
O conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em Teerã. Desde então, diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas.
Os EUA alegam ter destruído dezenas de navios iranianos, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares. Em retaliação, o regime iraniano realizou ataques contra diversos países da região, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã.
As autoridades iranianas afirmam que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações. Desde o início da guerra, mais de 1.200 civis morreram no Irã, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede nos EUA. A Casa Branca registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano, onde o Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Israel, por sua vez, tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvos do Hezbollah no Líbano, resultando em centenas de mortes no território libanês.
Após a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão. Donald Trump expressou descontentamento com essa escolha, classificando-a como um “grande erro”.


