Irã continua sendo ameaça, afirma diretora de Inteligência dos EUA

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, afirmou nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, que o Irã continua capaz de atacar os interesses de Washington e de seus aliados no Oriente Médio, apesar de estar “enfraquecido”.

O comentário foi feito durante uma audiência do Comitê de Inteligência do Senado sobre Ameaças Globais, que se concentra no conflito contra Teerã. Gabbard disse: “O regime iraniano parece estar intacto, mas em grande parte enfraquecido pela Operação Epic Fury. Mesmo assim, o Irã e seus parceiros continuam capazes de atacar interesses dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio e continuam a fazê-lo”.

Ela destacou que, embora a posição estratégica de Teerã tenha sido “significativamente degradada” em decorrência da guerra, a estrutura de sustentação do governo permanece intacta. Gabbard afirmou que o regime iraniano deverá iniciar “um esforço de anos para reconstruir suas forças armadas, mísseis e drones”, caso sobreviva.

Questionada sobre o estado atual do programa nuclear iraniano, Gabbard reafirmou que os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel em junho de 2025 devastaram a infraestrutura atômica iraniana. No entanto, ela acrescentou que a inteligência americana concluiu que o Irã não estava reconstruindo suas capacidades de enriquecimento nuclear destruídas, contradizendo as justificativas do presidente Donald Trump para a guerra.

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““Como resultado da Operação Martelo da Meia-Noite, o programa nuclear iraniano foi aniquilado. Desde então, não houve esforços para reconstruir sua capacidade de enriquecimento”, disse Gabbard.”

Essa conclusão foi compartilhada em uma análise anual de ameaças. Ao ser questionada por um congressista democrata sobre o motivo de não ter mencionado isso durante a audiência, Gabbard respondeu que não teve tempo suficiente para ler o relatório completo, mas não negou a validade da análise.

Desde o início da guerra ao Irã, em 28 de fevereiro, Trump tem reiterado que os ataques americanos eram necessários para conter uma “ameaça iminente” e que o regime iraniano estava a poucas semanas de obter uma bomba atômica. Ele afirmou: “Se nós não tivéssemos atacado, dentro de duas semanas eles teriam uma arma nuclear”.

Gabbard, conhecida por sua crítica a guerras de “mudança de regime”, era a superior imediata de Joe Kent, chefe do Centro Nacional de Contraterrorismo (NCTC), que renunciou ao cargo em 17 de março por não apoiar a guerra. Kent afirmou que “o Irã não representava uma ameaça iminente à nossa nação”.

Gabbard e Kent fazem parte da ala governista de republicanos com mentalidade moderada e anti-intervencionista. O setor, que inclui o vice-presidente J.D. Vance, tem preocupações com conflitos sem prazo definido, lembrando as guerras no Iraque e no Afeganistão.

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Após a saída de Kent, Gabbard se viu forçada a publicar uma declaração, afirmando que Trump, como comandante-em-chefe, “é responsável por julgar o que é e o que não é uma ameaça iminente”. Sua postura neutra foi considerada incomum por muitos.

Gabbard, ex-candidata nas eleições primárias do Partido Democrata em 2020, apoiou Trump nas eleições de 2024, defendendo que ele impediria os Estados Unidos de serem arrastados para guerras no exterior, em contraste com Joe Biden, que foi definido como um belicista.

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