O Irã continuará se opondo à produção de armas nucleares, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, em entrevista à Al Jazeera, divulgada pela mídia iraniana nesta quarta-feira, 18 de março de 2026.
Araqchi destacou que o novo líder supremo do país ainda não se manifestou publicamente sobre o tema. O ex-líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, que faleceu no início da guerra entre EUA, Israel e Irã, havia proibido o desenvolvimento de armas de destruição em massa por meio de uma fatwa, emitida nos anos 2000.
Países ocidentais, incluindo Estados Unidos e Israel, acusam o Irã há anos de buscar armas nucleares, enquanto as autoridades iranianas afirmam que seu programa é exclusivamente civil. Araqchi lembrou que fatwas dependem do jurista que as emite e disse não poder avaliar ainda as opiniões políticas ou jurídicas de Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã.
O chanceler também comentou sobre a necessidade de um novo protocolo para o Estreito de Ormuz, após o fim da guerra, garantindo a passagem segura de navios sob condições que respeitem os interesses do Irã e da região. O país afirmou que não permitirá que “nem um litro de petróleo” chegue aos EUA, Israel e seus aliados.
Na terça-feira, 17 de março, o presidente do Parlamento iraniano afirmou que a situação no estreito “não voltará ao que era antes da guerra”. Os EUA tentam organizar uma coalizão naval para escoltar navios na região, mas a maioria dos aliados da OTAN não deseja se envolver em operações militares contra o Irã.
A França declarou que só participaria de uma coalizão internacional conjunta após um cessar-fogo e negociações com Teerã. Araqchi afirmou ainda que o fim do conflito só seria possível se a guerra terminasse de forma permanente em toda a região e o Irã recebesse compensações pelos danos sofridos.
Questionado sobre ataques iranianos que atingiram áreas residenciais e comerciais, Araqchi explicou que isso ocorreu porque tropas dos EUA se mudaram para zonas urbanas. Ele reconheceu que países vizinhos estão “incomodados e suas populações foram afetadas ou prejudicadas” pelos ataques iranianos, mas afirmou que a responsabilidade é inteiramente dos EUA, por ter iniciado a guerra em 28 de fevereiro.


