Ad imageAd image

Irã rejeita cessar-fogo após eleição de Mojtaba Khamenei como líder supremo

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã rejeitou um cessar-fogo com os Estados Unidos e Israel nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, após a eleição de Mojtaba Khamenei como líder supremo, sucedendo seu pai, Ali Khamenei, assassinado no início do conflito.

O porta-voz do ministério, Esmaeil Baghaei, afirmou que o Irã não iniciou a guerra e que discutir uma trégua é impossível enquanto o país estiver sob ataque constante. “Estamos no décimo primeiro dia de agressão militar por parte dos Estados Unidos e do regime sionista. Não começamos esta guerra”, declarou Baghaei a jornalistas.

Ele acrescentou: “A agressão militar continua e, portanto, nesta situação, há pouco espaço para falar sobre qualquer coisa além de defesa e uma resposta contundente ao inimigo”, enfatizando que o Irã mantém 100% do foco na defesa do país.

No dia anterior, 8 de março, antes da confirmação de Mojtaba Khamenei como líder supremo, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, já havia rechaçado os apelos por um cessar-fogo. Durante entrevista à NBC News, ele afirmou que o país precisa “continuar lutando pelo bem do nosso povo”.

Araghchi criticou os Estados Unidos e Israel, afirmando que “estão matando nosso povo, estão matando estudantes, estão atacando hospitais”, e os considerou não confiáveis por terem violado uma trégua anterior que encerrou uma guerra de 12 dias em junho de 2025. “E agora vocês querem pedir um cessar-fogo novamente? Isso não funciona assim”, disse.

Ele defendeu a necessidade de um fim permanente para a guerra, afirmando: “A menos que cheguemos a isso, acho que precisamos continuar lutando pelo bem do nosso povo e pela nossa segurança.”

Mojtaba Khamenei, eleito no domingo, é considerado uma das personalidades mais influentes do Irã. Nascido em 8 de setembro de 1969, em Mashhad, ele é um dos seis filhos de Ali Khamenei e o único com uma posição pública, embora não ocupe um cargo oficial. Sua discrição em cerimônias oficiais gerou especulações sobre sua influência.

Ele é visto como próximo dos conservadores, especialmente devido a seus vínculos com a Guarda Revolucionária, e sua relação remonta à sua participação em uma unidade de combate durante a guerra entre Iraque e Irã (1980-1988).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na semana passada que não aceitaria a ascensão de Mojtaba Khamenei. “O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã”, disse Trump em entrevista ao portal Axios, sem fornecer detalhes sobre o tipo de liderança que esperava para o Irã.

Trump também afirmou que a República Islâmica não precisava de uma transição democrática, desde que “tratasse bem” os Estados Unidos e Israel. “Precisa haver um líder que seja justo e imparcial. Que faça um ótimo trabalho. Que trate bem os Estados Unidos e Israel, e que trate bem os outros países do Oriente Médio – todos eles são nossos parceiros”, acrescentou.

Enquanto isso, Israel prometeu que perseguirá o sucessor de Ali Khamenei, afirmando que “o longo braço do Estado de Israel continuará a perseguir o sucessor e qualquer um que tente nomeá-lo”.

Compartilhe esta notícia