Israel lançou uma nova onda de ataques contra o Irã nesta segunda-feira, 23 de março de 2026. O governo iraniano ameaçou retaliar contra infraestruturas de energia no Oriente Médio, em meio a uma crise energética global.
A imprensa iraniana relatou explosões em Teerã após o anúncio de Israel sobre a ofensiva. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos interceptaram mísseis e drones durante os ataques. O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, informou que pelo menos 40 infraestruturas energéticas na região estão gravemente danificadas.
Teerã respondeu aos ataques com mísseis e drones, atingindo instalações de energia e embaixadas dos Estados Unidos. O trânsito pelo Estreito de Ormuz foi interrompido, afetando 20% da produção mundial de hidrocarbonetos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou destruir centrais de energia iranianas se o estreito não for reaberto em 48 horas, enquanto o preço do petróleo se aproxima de 100 dólares por barril.
O ultimato de Trump termina às 23h44 GMT (20h44 de Brasília) nesta segunda-feira. O presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Bagher Ghalibaf, afirmou que as infraestruturas do Oriente Médio seriam consideradas alvos legítimos e destruídas se a ameaça de Trump se concretizar.
Fatih Birol alertou que o mundo está perdendo 11 milhões de barris de petróleo por dia, mais do que nas crises do petróleo da década de 1970. Ele declarou que a economia mundial enfrenta uma ameaça grave e espera que a situação seja resolvida rapidamente.
As Bolsas asiáticas fecharam em queda, com Tóquio perdendo 3,47% e Seul recuando 6,5%. Os preços do petróleo subiram, com o barril de West Texas Intermediate (WTI) a 99,86 dólares e o barril de Brent a 112,98 dólares. O Irã permitiu a navegação de alguns navios amigos pelo Estreito de Ormuz, mas advertiu que impediria embarcações de países que considera agressivos.
O Parlamento iraniano está considerando a cobrança de pedágio aos navios que cruzam o estreito. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a campanha contra o Irã pode se prolongar. Israel também intensificou a campanha terrestre contra o Hezbollah no Líbano, com o porta-voz militar, general de brigada Effie Defrin, alertando que haverá mais semanas de combates.
Mais de 1.000 pessoas morreram no Líbano desde o início dos ataques israelenses, e mais de um milhão foram deslocadas. O presidente libanês, Joseph Aoun, advertiu que os ataques contra pontes são um prelúdio para uma invasão terrestre. O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, responsabilizou o Hezbollah pelos ataques contra Israel, afirmando que a guerra foi imposta ao país.
Israel se orgulha de sua defesa aérea, mas alguns mísseis iranianos conseguiram atingir cidades israelenses, incluindo Dimona, próxima a instalações nucleares. Netanyahu prometeu perseguir os comandantes da Guarda Revolucionária iraniana. O Irã justificou os ataques a Dimona como resposta a um ataque contra seu complexo nuclear em Natanz.
Segundo a Human Rights Activists News Agency (HRANA), a guerra deixou pelo menos 3.230 mortos no Irã, incluindo 1.406 civis. A AFP não conseguiu verificar de forma independente os números de vítimas no Irã.

