O Itamaraty está avaliando a possibilidade de receber Darren Beattie, assessor do Departamento de Relações Educacionais e Culturais do governo de Donald Trump, após uma sondagem para uma possível reunião.
A Embaixada dos Estados Unidos fez o contato com o Ministério das Relações Exteriores de forma não convencional, utilizando e-mail e mensagens de aplicativo. Nos bastidores, diplomatas comentam que Beattie solicitou as reuniões somente após pedir uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, em Brasília, o que foi autorizado pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Para alguns membros do Itamaraty, essa atitude sugere que o assessor de Trump está tentando improvisar uma agenda em Brasília. Beattie deve chegar ao Brasil na próxima segunda-feira, dia 16, e retornar aos Estados Unidos na quarta-feira, dia 18, à noite. Na manhã de quarta, ele está programado para visitar Jair Bolsonaro na Papudinha.
Oficialmente, ao solicitar o visto para entrar no Brasil, o governo americano informou que Beattie participará de um evento sobre minerais críticos na sede da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, em São Paulo, também na quarta-feira, além de outras reuniões, conforme indicado pelo governo brasileiro.
Em um ofício enviado a Moraes na tarde de quinta-feira, dia 12, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que, “somente em 11/3, após o referido pedido de encontro com o ex-presidente, foram solicitadas pela Embaixada dos Estados Unidos em Brasília entrevistas do sr. Beattie junto ao Ministério das Relações Exteriores, inexistindo, até então, qualquer agendamento diplomático previamente notificado a esta pasta”.
Moraes havia determinado que o Itamaraty enviasse informações à Corte sobre a existência de uma agenda diplomática de Beattie no Brasil. Segundo Vieira, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília pediu, por e-mail, um agendamento de reunião entre Beattie e o coordenador-geral da área de Ilícitos Transnacionais para terça-feira, dia 17, às 16h30. Além disso, um diplomata da Embaixada americana solicitou um encontro entre Beattie e o secretário de Europa e América do Norte, Roberto Abdalla, também para terça. Até o momento, nenhuma das reuniões está confirmada.
Tradicionalmente, espera-se que os pedidos de reuniões sejam feitos com maior antecedência e por meios oficiais. No ofício a Moraes, Mauro Vieira ainda afirma que “a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.


