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Política

Itamaraty expressa oposição do Brasil à classificação de PCC e CV como terroristas

Amanda Rocha
Última atualização: 25 de março de 2026 15:10
Amanda Rocha
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Tempo: 2 min.
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No dia 25 de março de 2026, o Itamaraty manifestou ao governo dos Estados Unidos a oposição do Brasil à intenção de classificar as organizações criminosas PCC e CV como terroristas.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, confirmou que tratou do assunto diretamente com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. ‘Falei ao telefone com o secretário Marco Rubio e disse que o governo brasileiro é contra essa classificação’, afirmou o chanceler.

Vieira explicou que o Brasil defende que organizações criminosas e grupos terroristas têm naturezas distintas. Enquanto as facções visam o lucro financeiro, o terrorismo possui motivações políticas. O chanceler destacou que, em vez de focar em nomenclaturas, os dois países deveriam colaborar para combater o fluxo de armamento ilegal.

‘A grande maioria, quase a totalidade das armas em mãos das organizações criminosas no Brasil vem dos Estados Unidos. Precisamos trabalhar juntos para combater esse tipo de crime e o contrabando de armas’, enfatizou.

A declaração de Vieira ocorre em um momento de tensão sobre o tema. O promotor Lincoln Gakiya revelou que o governo americano já sinalizou que não levará em conta a posição brasileira, tratando a classificação como uma medida de segurança interna dos EUA.

Essa movimentação dos EUA pode impactar diretamente a soberania brasileira, permitindo sanções financeiras severas e até extradições, mas enfrenta barreiras na legislação do Brasil. A Lei Antiterrorismo brasileira não enquadra o crime organizado, criando um descompasso de protocolos entre os dois países.

Durante o encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump na Malásia, o Brasil apresentou uma proposta formal de cooperação. Segundo Vieira, o diálogo já avançou para níveis diplomáticos técnicos para trocar ideias sobre o combate ao crime transnacional.

O ministro ressaltou que, para os Estados Unidos, a classificação de facções como terroristas é uma questão de ‘uso interno’ da legislação americana, mas reforçou que o Brasil manterá a posição de não adotar essa nomenclatura por considerar os conceitos juridicamente diferentes.

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