O sacerdote de Candomblé Ivanir dos Santos, de 71 anos, analisa a representatividade negra na TV Globo em entrevista ao programa da coluna GENTE. Ele é um ativista, pesquisador e professor, reconhecido por seu trabalho em defesa dos direitos humanos e combate ao racismo.
Ivanir, que é pós-doutor em História Comparada pela UFRJ, participou de festivais e debates culturais em 2026. Ele foi um dos idealizadores da série documental Resistência Negra (Globoplay, 2023) e discute a nova novela A nobreza do amor, que aborda a história de uma realeza africana.
““O racismo praticado por Trump não é diferente se você olhar o mundo como um todo, a globalização, esse tipo de gesto na atualidade. Você vê a repercussão maior, porque é um ex-presidente e uma ex-primeira-dama, porque mostra que o negro, independentemente do lugar que chegue, continua sendo negro numa sociedade com valores eurocêntricos, hierarquizada, que animaliza os negros, boçaliza os negros”, afirmou Ivanir.”
Ele também mencionou a importância do Teatro Experimental Negro, que criticou a falta de protagonismo negro no teatro. “Isso é um exemplo importante. Foi a partir do Teatro Experimental Negro que se criou um grupo de atores e atrizes negros que acessou a televisão nos anos 1960”, disse.
Sobre o cenário atual, Ivanir destacou que há uma sequência de novelas com protagonistas negros, mas com conflitos no final das tramas. “O que chama a atenção é que estou esperançoso que agora vai ter a primeira novela referenciada na África”, comentou.
““Há uma ascensão de diretores negros. Um dos que escrevem essa novela das 6 é Elísio Lopes Jr., uma pessoa comprometida. Lázaro Ramos está na novela. O que me deixa tranquilo, porque são pessoas que não aceitam papel que humilha”, declarou Ivanir.”
Ele ressaltou a importância da nova novela, que fala de um grupo étnico na África e é voltada para uma descendência Yorubá. “Imagina quando enxergar as histórias brancas chegadas na televisão que dialogam com a grande massa do povo brasileiro”, disse.
Ivanir também abordou o impacto das cotas na ascensão do grupo negro na sociedade. “A cota, querendo ou não, trouxe uma ascensão do grupo negro na sociedade. Se você não muda a estrutura social brasileira, essa pressão vai aumentar”, alertou.
““Mérito não é privilégio. As pessoas confundem privilégio com mérito, porque a sociedade criou privilégios. Até hoje é uma sociedade de privilégios, e a questão racial está envolvida nisso”, concluiu Ivanir.”


