O ator Jackson Antunes, de 64 anos, está se recuperando em casa após receber um transplante de rim doado pela esposa, Cris, com quem é casado há 33 anos. O procedimento foi realizado no dia 22 de dezembro e ocorreu após uma piora progressiva na função renal do artista, que convivia com uma doença crônica há anos.
“A partir do momento que eu fui transplantado e a Cris, quatro dias depois, foi me visitar para ficar comigo, eu a olhei diferente. Era uma luz diferente. A palavra verdadeira é agradecimento”, contou Jackson, emocionado.
Antunes já havia enfrentado três tromboses na década de 1990 e descobriu que tinha apenas um rim funcional. Em 2018, recebeu diagnóstico de câncer no pâncreas, quando iniciou as primeiras sessões de hemodiálise. Nos últimos anos, conciliava gravações da novela Renascer (2024) com o tratamento renal, que já não era suficiente para manter a função do órgão.
Com a recomendação médica para realizar um transplante, Jackson entrou na lista nacional de espera, mas também buscou um doador vivo. Cris, com quem divide a vida desde a juventude, não hesitou: “Eu tinha uma coisa dentro de mim que eu falava para ele: amor, eu vou ser compatível com você.” E estava certa. No dia 22 de dezembro, o rim de Cris passou a funcionar no corpo de Jackson. A cirurgia foi um sucesso.
O que veio depois, segundo Jackson, foi algo impossível de explicar apenas pela medicina: “Eu fui sentindo uma mudança… não só física, mas espiritual.” O nefrologista Pedro Túlio explica que, por muitos anos, os imunossupressores não eram capazes de evitar a rejeição em transplantes entre pessoas sem parentesco consanguíneo direto. Contudo, com novos medicamentos, é possível realizar transplantes com pessoas que não têm uma identidade imunológica muito próxima, com boas taxas de sucesso.
Atualmente, cerca de 42 mil pessoas aguardam por um rim no Brasil. A maior parte dos transplantes é realizada com órgãos de doadores falecidos. O transplante entre vivos depende de avaliação médica detalhada para garantir segurança ao doador e ao receptor. O Ministério da Saúde estima que 20 milhões de brasileiros tenham doença renal, embora apenas 10% saibam disso. Os sintomas costumam aparecer em estágios avançados e o diagnóstico pode ser feito por exames simples, como creatinina e urina, disponíveis no SUS.
Na nova rotina, Jackson já faz fisioterapia, nada na piscina e diz ver o mundo com outros olhos: “Eu estou vendo o pôr do sol como se fosse o primeiro. Estou me sentindo mais bonito, mais forte, nadando perto de Deus.”


