O Japão aprovou um tratamento inovador contra a doença de Parkinson que utiliza células-tronco para substituir neurônios danificados no cérebro. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira, 6 de março de 2026, e abre caminho para que a terapia comece a ser oferecida a pacientes ainda este ano.
O medicamento, chamado Amchepry, foi desenvolvido pela farmacêutica japonesa Sumitomo Pharma e consiste no transplante de células produzidas em laboratório diretamente no cérebro do paciente. Segundo a empresa, a terapia recebeu uma aprovação condicional e por tempo limitado das autoridades sanitárias japonesas, permitindo seu uso enquanto novos estudos continuam avaliando sua eficácia e segurança em um número maior de pacientes.
Se chegar ao mercado, o produto deve se tornar o primeiro tratamento comercial do mundo baseado em células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como células iPS. Essas células são obtidas a partir de células adultas do próprio organismo, como células da pele, que passam por um processo de reprogramação genética para retornar a um estado semelhante ao de células embrionárias.
A tecnologia foi desenvolvida pelo cientista japonês Shinya Yamanaka, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 2012. No novo tratamento, as células iPS são transformadas em precursoras de neurônios produtores de dopamina, substância química essencial para o controle dos movimentos. Na doença de Parkinson, esses neurônios são progressivamente destruídos, levando a sintomas como tremores, rigidez muscular e lentidão de movimentos.
Em testes clínicos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Kyoto, células derivadas de iPS foram implantadas no cérebro de pacientes com Parkinson. O estudo incluiu sete voluntários, com idades entre 50 e 69 anos, que receberam entre cinco e dez milhões de células transplantadas em cada lado do cérebro. As células utilizadas vieram de doadores saudáveis e foram cultivadas em laboratório até se tornarem precursoras de neurônios dopaminérgicos.
Os pesquisadores afirmaram que o procedimento mostrou segurança e sinais de melhora dos sintomas nos participantes. Além do tratamento para Parkinson, o Ministério da Saúde japonês também autorizou o ReHeart, desenvolvido pela startup médica Cuorips, que consiste em lâminas de músculo cardíaco cultivadas em laboratório para estimular a formação de novos vasos sanguíneos e melhorar a função cardíaca em pacientes com insuficiência cardíaca grave.
Segundo o governo japonês, os dois tratamentos devem começar a chegar aos pacientes a partir de meados de 2026. A doença de Parkinson é um transtorno neurológico crônico e degenerativo que afeta principalmente o sistema motor do corpo, com quase 10 milhões de pessoas convivendo com a doença em todo o mundo, segundo a Parkinson’s Foundation.
Ainda não há cura nem tratamentos capazes de restaurar completamente as células perdidas no cérebro, o que torna as terapias regenerativas, como as baseadas em células-tronco, uma área de grande expectativa para a comunidade científica.

