Quinze anos após uma das maiores tragédias de sua história recente, o Japão relembra nesta quarta-feira (11) o terremoto e tsunami que devastaram o nordeste do país em 2011 e desencadearam o desastre nuclear da Usina Nuclear de Fukushima.
O tremor ocorreu às 14h46 de 11 de março de 2011 e atingiu 9,0 de magnitude, sendo o mais forte já registrado no Japão e um dos cinco mais intensos do mundo. O epicentro foi localizado no oceano, a cerca de 130 quilômetros da Península de Ojika, provocando um poderoso tsunami que atingiu o litoral poucos minutos depois.
As ondas chegaram a mais de 10 metros de altura e avançaram quilômetros continente adentro, arrastando carros, embarcações e casas inteiras. Em cidades costeiras da região de Sendai, a água tomou áreas urbanas rapidamente, causando destruição em larga escala.
Segundo dados oficiais, 15.894 pessoas morreram e cerca de 2.500 ficaram desaparecidas, enquanto centenas de milhares perderam suas casas. Ao todo, aproximadamente 230 mil pessoas foram deslocadas após a tragédia.
Além da devastação causada pelo terremoto e pelo tsunami, o desastre também desencadeou uma crise nuclear sem precedentes no país. As ondas atingiram a usina de Fukushima Daiichi, operada pela Tokyo Electric Power Company, danificando sistemas de resfriamento e provocando o colapso de três reatores nucleares.
O acidente foi considerado o pior desastre nuclear desde o de Chernobyl, levando à remoção de cerca de 160 mil moradores das áreas próximas à usina devido ao risco de contaminação radioativa. O terremoto e o tsunami de 2011 são lembrados como a maior catástrofe no Japão desde a Segunda Guerra Mundial, quando o país foi atingido pelas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em 1945.
Quinze anos depois, o país segue reconstruindo áreas atingidas e lidando com os impactos do desastre, especialmente na região de Fukushima, onde parte da população ainda reluta em retornar às cidades afetadas.
Takuma Hashimoto, que tinha apenas três anos durante o desastre e morava a uma hora de carro da usina, agora com 18 anos, deseja fazer parte da próxima geração de talentos nucleares do Japão. “Não acho que a energia nuclear deva ser tratada como algo automaticamente perigoso”, disse o estudante de engenharia de uma faculdade técnica em Iwaki.
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, está pressionando para acelerar a retomada das operações nucleares e desenvolver novas tecnologias para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. A retomada das operações de um dos reatores da usina Kashiwazaki-Kariwa, em janeiro, foi um marco importante.
Atualmente, apenas 15 dos 33 reatores no Japão que permanecem operacionais voltaram a funcionar. Uma pesquisa recente indicou que 51% da população é favorável à retomada das atividades nucleares, um aumento em relação aos 28% registrados em 2013.
Seiji Inada, que fazia parte da equipe de resposta a crises do governo em 2011, recorda-se de estar na sala de crise assistindo a imagens do reator explodindo. “A lição do 11 de março é a humildade: choques de baixa probabilidade acontecem. O que importa é a governança”, afirmou Inada.
Keiji Matsunaga, veterano da indústria nuclear, está desenvolvendo reatores mais seguros em sua empresa, a Toshiba. Ele acredita que o Japão precisa da energia nuclear para garantir sua segurança energética e que novas usinas serão projetadas para serem muito mais seguras.


