O cineasta paulista Jeferson De, um dos mais prolíficos do Brasil, lança nesta quinta-feira, 19, o longa ‘Narciso’. O filme aborda a história de um garoto que encontra um gênio, interpretado por Seu Jorge, e deseja ser parte de uma família rica, mas sob a condição de não ver seu reflexo novamente.
Em entrevista, De fala sobre os temas do filme e a importância de expandir as oportunidades para atores afro-brasileiros. Ele destaca o jovem ator Arthur Ferreira, que ganhou notoriedade na internet como ‘Nego Ney’. ‘Eu gosto de contar histórias e tenho tido a oportunidade de fazer isso em plataformas diferentes’, afirma o cineasta.
O filme ‘Narciso’ já circulou em festivais internacionais e, segundo De, há uma atenção crescente do mercado internacional para produções brasileiras. ‘Quando você diz que seu filme é brasileiro, há uma atenção especial por conta do Ainda Estou Aqui e do O Agente Secreto’, comenta.
Apesar do reconhecimento, De acredita que o mercado ainda não é tão receptivo a histórias comandadas por cineastas afro-brasileiros. ‘A aparência na frente da tela pode dar a entender que tudo mudou. Mas nós, negros, não participamos da estrutura de poder no interior de uma produção’, afirma.
Sobre a ideia de reinterpretar o mito de Narciso, De revela que já havia feito um curta chamado ‘Narciso Rap’. O foco do longa é subverter a ideia de beleza, mostrando um garoto negro que não gosta de sua imagem refletida no espelho.
De também fala sobre a delicadeza de tratar do racismo com atores mirins, como Arthur Ferreira. ‘Foi o set mais silencioso de que participei até hoje’, diz, destacando a importância de garantir a concentração do jovem ator durante as filmagens.
O cineasta menciona sua experiência na novela ‘Garota do Momento’, onde trabalhou com temas delicados e teve a oportunidade de criar um universo que refletisse a vivência negra no Brasil. ‘Foi gratificante vê-los crescer como profissionais’, afirma.
Atualmente, De está na pós-produção da adaptação de ‘Quarto de Despejo’, de Carolina Maria de Jesus. Ele destaca que as autoras Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz e Fernanda Felisberto participam do filme, representando um guia em sua trajetória.

