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Jogadora da seleção do Irã decide retornar após oferta de asilo na Austrália

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

A polícia da Austrália auxiliou dois integrantes da delegação da seleção feminina do Irã a escapar de seus supervisores para solicitar asilo. No entanto, uma das jogadoras decidiu retornar ao Irã, conforme informou o ministro do Interior australiano, Tony Burke, nesta quarta-feira (11).

As preocupações com a segurança das jogadoras aumentaram após a televisão estatal iraniana classificar a equipe como “traidoras em tempo de guerra” por não cantarem o hino nacional durante uma partida da Copa Asiática Feminina na Austrália. Burke anunciou no parlamento que a atacante de 21 anos, Mohaddeseh Zolfi, e a integrante da comissão técnica, Zahra Soltan Moshkehkar, aceitaram a oferta de ajuda do governo australiano na noite de terça-feira.

Um dia antes, cinco jogadoras da equipe já haviam recebido asilo. No entanto, “uma das duas que havia decidido permanecer na noite passada conversou com algumas das companheiras que tinham saído e mudou de ideia”, disse Burke, sem especificar quem optou por retornar ao Irã. “Na Austrália, as pessoas podem mudar de ideia, podem viajar. Portanto, respeitamos o contexto em que ela tomou essa decisão”, acrescentou.

Segundo o ministro, as demais jogadoras foram levadas para um local seguro após a integrante que mudou de decisão entrar em contato com a embaixada iraniana e revelar a localização do grupo. Zolfi e Moshkehkar foram retiradas do restante da equipe com a ajuda da Polícia Federal Australiana antes de embarcarem em um voo doméstico para Sydney.

Antes de deixarem o país, autoridades australianas separaram o restante da delegação de seus supervisores iranianos no aeroporto de Sydney e informaram às jogadoras sobre suas opções antes do embarque. Todas as que chegaram ao aeroporto decidiram retornar ao Irã. “O que garantimos foi que não houve pressa nem pressão. Tudo foi feito para assegurar a dignidade dessas pessoas na hora de tomar uma decisão”, afirmou Burke durante coletiva em Canberra.

Burke também mencionou que algumas jogadoras perguntaram sobre a possibilidade de ajudar familiares a deixar o Irã. “Obviamente, quando as pessoas se tornam residentes permanentes, existem direitos para patrocinar a vinda de outros familiares. Mas tudo isso só passa a ser relevante se essas pessoas conseguirem sair do Irã em primeiro lugar”, explicou. Algumas atletas discutiram as opções com parentes, mas recusaram a oferta de permanecer na Austrália.

A equipe já chegou a Kuala Lumpur, em viagem de retorno ao Irã. A Confederação Asiática de Futebol confirmou a chegada da delegação à capital malaia, informando que o grupo está hospedado em um hotel da cidade. “A AFC fornecerá todo o suporte necessário à equipe durante a estadia até que os arranjos para a continuação da viagem sejam confirmados”, disse um porta-voz da entidade em comunicado.

A embaixada iraniana em Kuala Lumpur afirmou à agência estatal malaia Bernama que as jogadoras estão bem e “querem voltar para casa”. A campanha da seleção iraniana no torneio começou quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã, resultando na morte do líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei. A equipe foi eliminada da competição no domingo.

Um grupo de iranianos que vivem na Austrália realizou protestos contra o governo do Irã e cercou o ônibus da equipe em Gold Coast quando as jogadoras deixavam o hotel rumo ao aeroporto. Muitos manifestantes também compareceram ao aeroporto de Sydney na noite de terça-feira (10), quando a delegação era transferida para o terminal internacional, conforme mostraram imagens da televisão. O gabinete do procurador-geral do Irã informou que as integrantes restantes da equipe foram convidadas a voltar ao país “com paz e confiança”, segundo a imprensa iraniana.

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