Ad imageAd image

José Antonio Kast assume presidência do Chile e reforça tendência da direita na América Latina

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

José Antonio Kast tomou posse como presidente do Chile nesta quarta-feira, 11 de março de 2026. Sua chegada ao Palácio de La Moneda marca um ponto de inflexão nas eleições da América Latina, que têm visto uma interrupção dos ciclos progressistas em favor de governos de direita.

Com a posse de Kast, a proporção de países governados pela direita na América do Sul aumenta para cinco. Além do Chile, a direita é representada por Rodrigo Paz na Bolívia, Javier Milei na Argentina, Santiago Peña no Paraguai e Daniel Noboa no Equador.

Ainda assim, a esquerda continua predominante na região, especialmente após a mudança no governo interino do Peru, onde José María Balcázar, identificado como de esquerda, assumiu após o impeachment de José Jerí. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gustavo Petro na Colômbia, Yamandú Orsi no Uruguai, Delcy Rodríguez na Venezuela, Irfaan Ali na Guiana e Jennifer Geerlings-Simons no Suriname também compõem a balança progressista.

As eleições presidenciais na Colômbia e no Brasil estão marcadas para maio e outubro de 2026, respectivamente. Na América Central, a direita tem ganhado espaço, com a ascensão de Nayib Bukele em El Salvador, Nasry Asfura em Honduras, José Raúl Mulino no Panamá e Rodrigo Chaves na Costa Rica.

Apesar do avanço da direita, a esquerda resiste em países como Cuba, Nicarágua e Venezuela. A situação na Venezuela se complica com o alinhamento do governo de Delcy Rodríguez com os Estados Unidos após a captura de Nicolás Maduro.

Felippe Ramos, analista internacional de risco político, aponta que a mudança na balança política se deve à crescente preocupação da população com segurança e problemas migratórios. Kast venceu as eleições com uma plataforma de “mão dura” e prometeu expulsar migrantes irregulares a partir de sua posse.

““A segurança é o calcanhar de Aquiles da esquerda, que defende uma visão mais voltada para a inclusão social, em uma conjuntura em que a população em geral, inclusive as classes mais pobres, que são as mais afetadas pela insegurança, quer mão dura”, disse Ramos.”

O alinhamento com os Estados Unidos é evidente, com presidentes latino-americanos participando de eventos liderados por Donald Trump. Durante um evento na Flórida, Trump afirmou que não permitirá influência estrangeira no Canal do Panamá.

Gabriel Vommaro, pesquisador das direitas da Argentina e América Latina, observa um fortalecimento das opções de direita na última década, capaz de competir com a hegemonia de movimentos como o peronismo. Ele destaca a ascensão da extrema direita, que rompeu consensos e mudou a forma de lidar com questões sociais.

““Há dois fenômenos: a consolidação e o crescimento da direita em sua diversidade como oferta política. E com eles, veio a particularidade da ascensão da extrema direita, que é algo novo em termos eleitorais na região”, afirmou Vommaro.”

A durabilidade desses governos, no entanto, é uma questão em aberto, uma vez que reeleições têm se mostrado desafiadoras na região.

Compartilhe esta notícia