Ad imageAd image

José Antonio Kast descreve Chile em ‘piores condições’ em primeiro discurso como presidente

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Em seu primeiro discurso à nação como presidente do Chile, José Antonio Kast descreveu um país assolado pelo crime organizado e com finanças frágeis, apresentando seu governo como um governo de emergência para solucionar esses problemas. ‘Eles estão nos entregando um país em condições piores do que poderíamos imaginar. Um país com finanças públicas fragilizadas. Um país onde o crime organizado e o narcotráfico prosperaram’, disse Kast, dirigindo-se a milhares de apoiadores reunidos em frente ao Palácio de La Moneda, em Santiago, na noite de quarta-feira (11).

Kast afirmou que, para enfrentar as emergências nas áreas de segurança, saúde, educação e emprego, o Chile precisa de um governo de emergência. ‘E é isso que seremos’, acrescentou. O presidente também pediu união e anunciou que realizará auditorias em todo o governo, além de intensificar o combate ao crime, à imigração ilegal e à corrupção. ‘Vamos restaurar nosso país, vamos restaurar nossas ruas, vamos restaurar nossas instituições. Vamos restaurar a esperança’, declarou Kast.

Antes de discursar, Kast assinou uma série de decretos presidenciais focados em melhorar a segurança nas fronteiras da região desértica do norte do país e em uma auditoria completa das finanças públicas. Ele prometeu reprimir a imigração e a criminalidade, enquanto impulsiona o crescimento econômico por meio da desregulamentação, cortes de gastos e políticas favoráveis ao mercado.

Kast assume o cargo no lugar de Gabriel Boric, que o derrotou em 2021, em um momento de aumento da criminalidade, instabilidade econômica e turbulências no mercado global, exacerbadas pela guerra com o Irã. Manifestantes se reuniram em Valparaíso e Santiago, entrando em confronto com a polícia e entoando cânticos contra o imperialismo, o capitalismo e Kast, sendo dispersados com canhões de água e gás lacrimogêneo.

Um tiroteio que deixou um policial com morte cerebral na cidade de Puerto Varas evidenciou as preocupações com a segurança. Kast enviou sua nova ministra da Segurança, Trinidad Steinert, à cidade. ‘Haverá um antes e um depois. Quem ataca um policial ataca o Chile’, afirmou Kast a repórteres, prometendo encontrar e punir os responsáveis.

O governo de Kast planeja apresentar um projeto de reforma tributária em abril, que inclui a redução de impostos para empresas de 27% para 23% ao longo de quatro anos e créditos tributários para incentivar o emprego. ‘Este é um governo de esperança. Ele defende o trabalho, a classe trabalhadora. Somos nós que mais precisamos disso’, disse Patricia Vilches, uma aposentada de 68 anos que estava presente no evento.

A transição política é marcada pelo aumento das tensões entre o governo entrante e o de saída, devido à crescente pressão dos EUA em relação a um projeto chinês de cabo submarino. Kast participou de uma reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Flórida, para lançar uma nova coalizão contra os cartéis de drogas, chamada ‘Escudo das Américas’. O Chile, maior produtor mundial de cobre, enfrenta desafios econômicos relacionados à guerra com o Irã e à influência da China na América Latina.

Guillermo Holzmann, analista político da Universidade de Valparaíso, destacou que Kast terá que lidar com um cenário geopolítico internacional desafiador, e que suas decisões exigirão diplomacia sofisticada e visão estratégica de médio e longo prazo. Kast também enfrentará um Congresso dividido, o que poderá dificultar a implementação rápida de sua agenda. Nicholas Watson, diretor-geral da consultoria Teneo, afirmou que a implementação eficaz de prioridades como segurança, imigração e economia será essencial nos próximos meses.

Compartilhe esta notícia