Jovem de 27 anos viraliza ao falar sobre primeiro emprego e gera debate sobre idade para trabalhar

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Matheus Tavares, aos 27 anos, compartilhou em sua conta na rede X (antigo Twitter) que conseguiu seu primeiro emprego formal, gerando um debate sobre a idade para começar a trabalhar. O post alcançou mais de 2 milhões de visualizações em poucas horas.

Na mensagem, Matheus expressou sua emoção pelo novo cargo, mas também recebeu críticas. Um usuário questionou: ‘Me pergunto como tu chegou nessa idade sem se sentir um completo inútil’. Em resposta, Matheus esclareceu que não se tratava de nunca ter trabalhado, mas sim de ter seu primeiro vínculo formal com uma empresa.

Ele já havia acumulado diversas experiências em ocupações informais, como office-boy, fotógrafo, garçom, vendedor, corretor, motoboy, motorista de aplicativo, mecânico e camelô. ‘Aos 27 anos, nunca fui CLT. Mas agora tenho meu primeiro emprego formal, meu primeiro cargo, meu primeiro vínculo com uma empresa’, disse Matheus.

A oportunidade surgiu como engenheiro de software em um contrato como pessoa jurídica (PJ) em uma empresa de São Paulo. A diferença entre CLT e PJ foi explicada: enquanto o primeiro tem vínculo empregatício e direitos trabalhistas, o segundo atua como prestador de serviços sem esses benefícios.

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A repercussão do post de Matheus gerou uma discussão mais ampla sobre a existência de uma idade certa para iniciar uma carreira e a percepção negativa sobre profissionais sem vínculo formal. Em um Brasil com 38,5 milhões de pessoas vivendo na informalidade, segundo o IBGE, histórias como a de Matheus refletem mudanças no mercado de trabalho.

Matheus começou a trabalhar aos 14 anos, conciliando escola e trabalho. Ele enfrentou dificuldades para acessar o mercado formal, especialmente após mudanças de cidade. O economista Bruno Imaizumi destacou que o desemprego está em seu menor nível histórico, o que pode ter contribuído para a maior abertura de vagas.

O debate sobre a idade para começar a trabalhar foi ampliado por especialistas, que afirmam que o conceito de carreira está mudando. O professor Edgard Rodrigues e o CEO do Top RH, Daniel Consani, concordam que o momento de entrada no mercado não define o potencial do profissional, e que a preparação é o que realmente importa.

A história de Matheus também ilustra a dificuldade de validar experiências informais em processos seletivos. Ele relatou que frequentemente era barrado no RH antes de chegar ao gestor técnico. No entanto, empresas mais modernas estão mudando seus modelos de recrutamento para focar em competências reais.

Consani afirmou que a informalidade pode se tornar uma vantagem competitiva, dependendo de como a trajetória é apresentada. A percepção de que quem não seguiu uma trajetória tradicional está ‘atrasado’ ainda persiste, mas está diminuindo, especialmente entre novas gerações.

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