Jovem denuncia assédio sexual em ônibus do Rio e pede justiça

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A jovem que denunciou um caso de importunação sexual em um ônibus na Zona Sul do Rio de Janeiro desabafou nas redes sociais após o depoimento de João Victor Raphael Freitas na 15ª DP (Gávea) nesta quinta-feira (12).

João Victor afirmou à polícia que se reconhecia nas imagens, mas que só falaria em juízo sobre a suposta masturbação. A jovem expressou sua expectativa por justiça, ressaltando que muitas mulheres enfrentam situações semelhantes diariamente e muitas vezes hesitam em denunciar. Ela escreveu:

“”Hoje ele saiu da delegacia pela porta da frente, acompanhado de advogados, dizendo que ‘só fala em juízo’. Eu só espero por justiça. Porque muitas mulheres passam por situações assim todos os dias e, muitas vezes, ficam com medo de denunciar ou acham que nada vai acontecer. Que esse caso não seja apenas mais um”.”

A postagem da jovem gerou revolta entre internautas, com uma mulher comentando:

- Publicidade -

“”é muita humilhação que a mulher passa”.”

O post já tinha mais de 190 mil visualizações na sexta-feira.

A delegada Daniela Terra, titular da 15ª DP (Gávea), informou que João Victor está respondendo por importunação sexual, conforme o artigo 215-A, e destacou que ele expôs não apenas a vítima, mas toda a sociedade, comprometendo a liberdade de ir e vir das mulheres em transporte público. Ela pediu que outras possíveis vítimas do mesmo autor procurem a delegacia.

João Victor também registrou na delegacia que recebeu ameaças após a divulgação de seu nome e endereço nas redes sociais, após o vídeo do assédio se espalhar. Ele afirmou que as ameaças incluíam seus familiares, levando-o a deixar seu bairro e se mudar para a Baixada Fluminense.

A jovem, de 18 anos, relatou ter sofrido assédio sexual dentro do ônibus 565 (Tanque x Gávea) na terça-feira (10). Ela gravou um vídeo do homem se masturbando e olhando para ela, e postou nas redes sociais. O vídeo alcançou mais de 700 mil visualizações em uma hora. Nos comentários, o homem foi identificado como aluno e funcionário da PUC-Rio, que afirmou que tomará as medidas cabíveis caso o vínculo seja confirmado.

- Publicidade -

A jovem contou que estava na delegacia prestando queixa por volta das 18h30, após o incidente. Ela relatou que, ao entrar no ônibus, notou a presença do homem, que se sentou ao seu lado. Ela descreveu:

“”O ônibus estava vazio, mas eu não ia demorar para descer. Ele entrou, sentou e perguntou as horas. Eu falei ’11h36′ e virei de novo para a janela. Algo me deu na cabeça para eu olhar para o lado e eu vi ele tocando nas partes íntimas dele”.”

Ela ficou com medo de represálias e contou com o apoio das amigas para expor a situação. A jovem disse:

“”Eu me desesperei, parece que ele tava gostando de eu ter visto ele se tocando e me desesperei. Eu levantei para sair logo daquela situação e ele ficou me chamando, falando para eu não descer”.”

Outra mulher reconheceu João Victor nas imagens e relatou ter passado por uma situação semelhante com ele. Ela contou que, há um ano, também em um ônibus, ele teria jogado algo em seu short e tentou tocá-la. Ela não registrou os casos na polícia.

A defesa de João Victor informou que não tinha conhecimento dos fatos e que se manifestará em juízo após tomar ciência do caso.

Compartilhe esta notícia