No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, as judocas brasileiras Rafaela Silva e Jéssica Pereira participaram de um evento sobre equidade de gênero e desenvolvimento social no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Durante a conversa, as atletas compartilharam suas experiências e desafios enfrentados no judô, um esporte que já rendeu ao Brasil 28 medalhas olímpicas.
Rafaela Silva, que começou no judô aos 5 anos, destacou a importância de sua trajetória: “Quando eu comecei a fazer esses eventos, eu via que eu não podia parar, porque através da minha história, da minha conquista ali, da minha medalha, eu estava inspirando outras gerações.” Jéssica Pereira, tricampeã pan-americana, também compartilhou sua história, iniciando no judô aos 7 anos como uma forma de escapar da violência.
As judocas discutiram as dificuldades de se manter em um esporte de alto rendimento e os preconceitos sociais e de gênero que enfrentaram. Rafaela lembrou que, quando começou na seleção brasileira em 2008, os treinos no Japão eram exclusivos para homens, pois a confederação não acreditava que as mulheres tinham nível para treinar no país de origem do judô. “O judô feminino é igual o masculino. A gente luta o mesmo tempo de luta, a gente recebe a mesma premiação”, afirmou.
As atletas também relataram o preconceito que enfrentaram, tanto de familiares quanto em competições. Rafaela mencionou que, inicialmente, muitas pessoas viam o judô como um esporte masculino. “Várias tias nossas falavam: ‘Não, mas isso daí é negócio de homem, ficar se agarrando, ficar se batendo lá’”, contou. Com o tempo, essa visão começou a mudar.
As conquistas das mulheres no judô são significativas. A ex-judoca Mayra Aguiar é a maior medalhista brasileira do esporte, com três medalhas olímpicas de bronze. A Federação Internacional de Judô também tem promovido o desenvolvimento da categoria feminina, incluindo a competição por equipes mistas no campeonato mundial de 2017.
Rafaela Silva, de olho nas Olimpíadas de 2028 em Los Angeles, notou um aumento na presença de atletas femininas nas competições e afirmou que não tem planos de se aposentar. “Esses momentos são muito gratificantes, e a gente sabe que serve como inspiração pra nova juventude que tá vindo aí”, concluiu Jéssica Pereira.


