A Justiça de Campinas, em São Paulo, determinou que o governo estadual indique um presídio feminino para receber Ligiane Marinho de Ávila, ex-servidora da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp), após sua eventual extradição do Reino Unido. Ligiane é acusada de desviar R$ 4,2 milhões de verbas destinadas a pesquisas científicas.
A decisão foi proferida pela 5ª Vara Criminal de Campinas. A juíza solicitou um ofício à Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) para verificar a disponibilidade de uma unidade prisional feminina. Essa indicação é necessária para formalizar o pedido de extradição.
Ligiane foi condenada a 10 anos e 6 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Além da pena, a sentença determina a devolução do valor desviado, com atualização, e o pagamento de 37 dias-multa. A defesa da ex-servidora afirmou que considera a sentença desproporcional e pretende recorrer.
“”Por tratar-se de uma decisão de primeira instância, a defesa reitera sua confiança no devido processo legal e no princípio da presunção de inocência até o trânsito em julgado”, disse a defesa.”
A juíza que sentenciou Ligiane destacou que os desvios causaram “imenso prejuízo” financeiro e científico, comprometendo estudos com relevância social e sanitária. As verbas desviadas eram essenciais para a compra de materiais, manutenção de equipamentos e realização de experimentos, resultando na interrupção de projetos.
Ligiane, que tem 36 anos, deixou o Brasil em 19 de fevereiro de 2024, um mês após a descoberta dos desvios. Em setembro do mesmo ano, o Ministério Público solicitou sua prisão preventiva e a quebra de sigilo bancário. Mesmo foragida, participou virtualmente do julgamento em janeiro de 2026.
O escritório de advocacia que representa 34 pesquisadores acionados para devolver os valores desviados afirmou que as irregularidades foram denunciadas pelos próprios cientistas. Eles alegam que a FAPESP direcionou esforços para cobrar os valores dos pesquisadores, que também são vítimas da situação.
“”Apesar da postura colaborativa dos docentes, a FAPESP optou por direcionar esforços não à responsabilização da autora das fraudes, mas à cobrança dos valores diretamente dos pesquisadores”, afirmou o escritório.”
A Unicamp, em nota, informou que recebeu manifestação do Ministério Público em 5 de maio, solicitando a instauração de sindicância administrativa. A universidade já apurou os fatos internamente e recomendou medidas administrativas para melhorar os escritórios de apoio.
A FAPESP constatou irregularidades na prestação de contas de projetos de pesquisa e ajuizou 34 ações de cobrança contra os pesquisadores. O relatório final da apuração indicou um potencial desvio total de R$ 5.384.215,88 entre 2013 e 2024.

