Justiça condena réus a 30 anos pela morte do advogado Rodrigo Crespo

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Os três réus acusados de envolvimento na morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, em 2024, foram condenados pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro na última sexta-feira (6). Leandro Machado da Silva, Cezar Daniel Mondêgo de Souza e Eduardo Sobreira Moraes receberam a pena de 30 anos de reclusão cada um.

A condenação se deu pela prática de homicídio qualificado por motivo torpe, mediante emboscada e com recurso que dificultou a defesa da vítima, visando assegurar a execução e vantagem de outros crimes relacionados a jogos de azar e com uso de arma de fogo de uso restrito. O juiz Cariel Bezerra Patriota presidiu o julgamento, que durou dois dias, e destacou a participação dos réus em um grupo de sicários no estado.

O juiz afirmou que o grupo “assola o estado do Rio de Janeiro por meio de ordenação, estruturação e divisão de tarefas”, visando obter vantagens e ampliar seu poder político. Segundo ele, os réus utilizam técnicas e estratégias de autoridades investigativas para planejar homicídios e obstruir investigações.

O julgamento começou na quinta-feira (5), com a oitiva de 14 testemunhas, sendo quatro de acusação e dez de defesa. Após os depoimentos, os réus foram interrogados até a madrugada. A sessão foi suspensa por volta da 1h de sexta-feira (6) e retomada pouco depois das 10h, iniciando os debates entre o Ministério Público e as defesas.

Durante a sustentação oral, o promotor Bruno de Faria Bezerra afirmou que o assassinato de Crespo, ocorrido em 26 de fevereiro, foi uma mensagem da organização criminosa ligada ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. O homicídio teria ocorrido no mesmo dia em que Adilsinho foi preso, dois anos antes.

A acusação alegou que o crime foi planejado para intimidar concorrentes no setor de jogos, já que Crespo estava estudando abrir um “sporting bar” em Botafogo. A região é dominada por Adilsinho, que controla pontos do jogo do bicho e um bingo clandestino.

As defesas negaram a participação dos réus no homicídio. Os advogados de Cezar Daniel Môndego de Souza alegaram que ele foi contratado para monitorar a vítima, sem saber que haveria um assassinato. A defesa de Eduardo Sobreira Moraes sustentou que ele apenas dirigia para Cezar, sem conhecimento do plano. A defesa de Leandro Machado da Silva argumentou que seu nome não constava no checklist do veículo utilizado no monitoramento.

Rodrigo Marinho Crespo foi morto a tiros em frente ao seu escritório, localizado no centro do Rio de Janeiro, em uma área próxima à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e ao Ministério Público. Imagens de câmeras de segurança mostraram o momento em que um homem encapuzado saiu de um carro branco e disparou contra a vítima, que foi atingida por pelo menos onze tiros.

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