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Justiça determina investigação de morte de PM como feminicídio

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A Justiça de São Paulo decidiu nesta terça-feira (10) que a morte da policial militar Gisele Santana, encontrada morta em casa com um tiro na cabeça, será investigada como feminicídio. O caso foi encaminhado ao Tribunal do Júri, que analisa crimes contra a vida.

A decisão foi tomada após um laudo necroscópico indicar lesões no rosto e no pescoço da vítima. Peritos afirmaram que há sinais de que Gisele desmaiou antes de ser baleada e que não apresentou defesa. O caso ocorreu na manhã do dia 18 de fevereiro.

O laudo, obtido com exclusividade, descreve as lesões como “contundentes” e causadas “por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal”. Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido, Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central de São Paulo. Ele estava presente no local e acionou o socorro.

Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas passou a ser investigado como morte suspeita após a família contestar essa versão. O corpo da PM foi exumado e novos exames foram realizados no Instituto Médico-Legal (IML) Central da capital no dia 7 de março.

Um dos pontos que chamam a atenção dos investigadores é o horário da morte. Uma vizinha relatou ter ouvido um disparo por volta das 7h28, cerca de meia hora antes da primeira ligação do marido ao serviço de emergência, feita às 7h57, onde ele afirmou que a esposa havia se suicidado. Minutos depois, ele ligou para o Corpo de Bombeiros e disse que Gisele ainda estava respirando.

Outro aspecto questionado é a posição da arma. Um socorrista observou que a arma estava “bem encaixada” na mão da mulher, algo incomum em casos de suicídio. O profissional também notou que o sangue já estava coagulado quando a equipe chegou ao apartamento e que não havia cartucho de bala no local.

Além disso, depoimentos de socorristas levantaram dúvidas sobre a versão apresentada por Geraldo. Ele afirmou que estava no banho no momento do disparo, mas os bombeiros relataram que ele estava seco e não havia marcas de água no chão do apartamento. O tenente-coronel também não demonstrou desespero, falando calmamente ao telefone e questionando o atendimento prestado.

Entre os contatos feitos por Geraldo, uma ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, chamou a atenção da família da policial. O desembargador chegou ao prédio às 9h07 e subiu para o apartamento com o tenente-coronel.

Uma câmera de segurança registrou a entrada e saída de três policiais no apartamento, que foram ao local cerca de 10 horas após a ocorrência para fazer a limpeza do imóvel. As policiais serão ouvidas na investigação.

A defesa de Geraldo afirmou que ele não é investigado ou indiciado e que tem colaborado com as autoridades. A defesa do desembargador informou que ele foi chamado como amigo do tenente-coronel e que prestará esclarecimentos à polícia judiciária. O caso segue sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar.

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