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Justiça

Justiça Eleitoral suspende pesquisa em Alagoas por falhas e risco de desinformação

Amanda Rocha
Última atualização: 6 de março de 2026 16:58
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) determinou, nesta sexta-feira (6), a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral registrada sob o número AL-05611/2026. O levantamento foi realizado pela empresa Falpe Pesquisas e a decisão liminar é do desembargador Maurício César Breda Filho, que atendeu a um pedido do diretório estadual do MDB.

Segundo o magistrado, há indícios de falhas metodológicas no estudo, que foi apresentado como um retrato da disputa eleitoral em Alagoas. A pesquisa ouviu eleitores apenas em municípios da Região Metropolitana de Maceió, excluindo cerca de 65% do eleitorado do estado, especialmente do interior. Para o desembargador, essa limitação impede que o resultado represente todo o estado e pode gerar distorções.

““A divulgação de pesquisas exige rigor técnico, pois exerce forte influência na formação da convicção do eleitor”,”

escreveu na decisão.

O relator também apontou problemas nos cenários apresentados aos entrevistados. Na disputa para o governo de Alagoas, a pesquisa apresentou apenas dois nomes: o prefeito de Maceió, JHC, e o ex-governador Renan Filho. O desembargador destacou que apresentar apenas dois candidatos e realizar entrevistas na região onde um deles tem maior influência pode criar uma percepção artificial de liderança. No cenário para o Senado, o levantamento não incluiu o nome do prefeito JHC, que é considerado um possível candidato ao cargo, o que pode alterar a percepção sobre a competitividade de outros pré-candidatos.

A Justiça Eleitoral também identificou inconsistências na documentação da pesquisa. O registro informava 1.200 entrevistas domiciliares em 13 municípios, com custo total de R$ 10 mil, o que resulta em cerca de R$ 8,33 por entrevista. O relator considerou que esse custo é incompatível com despesas como deslocamento, equipe de campo e processamento de dados. Além disso, foi mencionado o uso de dados do Censo de 2010 para definir o perfil da amostra, mesmo com a disponibilidade de dados mais recentes do Censo de 2022. Para o relator, essas falhas comprometem a confiabilidade da pesquisa.

Na decisão, o desembargador ressaltou que pesquisas com falhas metodológicas podem influenciar a percepção do eleitor. Ele alertou que esse tipo de pesquisa pode provocar o chamado “efeito de adesão”, onde eleitores passam a apoiar candidatos que aparecem na liderança ou deixam de apoiar nomes vistos como sem chance de vitória.

““O impacto direto na sociedade é a contaminação do ambiente eleitoral”,”

afirmou o magistrado, acrescentando que dados distorcidos funcionam como um “espelho deformado da realidade política”.

A decisão determina a suspensão da divulgação da pesquisa em qualquer meio, incluindo portais de notícias, redes sociais e aplicativos de mensagens. A Falpe Pesquisas e a empresa contratante, Plus Comunicação e Serviços Ltda., devem remover publicações sobre o levantamento. Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 10 mil. O caso será analisado pelo Ministério Público Eleitoral, que avaliará se houve irregularidades ou eventual crime eleitoral na divulgação da pesquisa.

TAGGED:AlagoasDesinformaçãoEleiçõesFalpe PesquisasJHCJustiçaMaceióMaurício César Breda FilhoMDBpesquisaPlus Comunicação e Serviços Ltda.Renan FilhoTribunal Regional Eleitoral de Alagoas
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