A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de um engenheiro civil que trabalhava na Santa Casa de Misericórdia de Sobral, no Ceará. O profissional foi acusado de utilizar a estrutura do hospital para vender produtos de sua loja e realizar entregas.
Além disso, o engenheiro permitiu que um funcionário morasse em uma sala do hospital, onde uma churrasqueira foi instalada. A sentença foi proferida em fevereiro pela 2ª Vara do Trabalho de Sobral e divulgada recentemente.
Durante o processo, depoimentos indicaram que o engenheiro usava subordinados e veículos do hospital para entregar mercadorias de sua loja particular, comercializando produtos como redes e itens de cama dentro de sua sala no hospital.
O engenheiro também foi acusado de assédio moral, com uma coordenadora relatando exclusão sistemática de decisões e reuniões. Subordinados eram constrangidos a cumprir ordens fora do escopo de trabalho, como buscar objetos pessoais do gestor em outras cidades.
Ao acionar a Justiça, o engenheiro alegou perseguição política após a mudança na gestão da Prefeitura de Sobral. Ele solicitou a reversão da demissão e o recebimento de verbas indenizatórias típicas da demissão sem justa causa, além de indenização por danos morais.
O engenheiro apresentou prints de conversas em que negociava produtos, servindo como provas contra ele mesmo. A juíza Maria Rafaela de Castro considerou que a Santa Casa agiu corretamente ao investigar os fatos e demitir o engenheiro.
A magistrada recusou o pedido de suspensão da demissão e o pagamento de verbas indenizatórias, mas ordenou que o hospital pagasse a diferença salarial ao engenheiro, já que seu salário de R$ 6 mil era inferior ao piso salarial para engenheiros.


