O juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, da 37ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, decidiu manter as medidas cautelares contra a advogada e influencer argentina Agostina Páez, acusada de racismo em um bar em Ipanema. A decisão foi tomada na quarta-feira, 25.
Agostina havia solicitado a retirada da tornozeleira eletrônica e a devolução do passaporte para retornar à Argentina, onde aguardaria a conclusão do processo. Ela foi presa em 6 de fevereiro, mas liberada horas depois.
Na decisão, o juiz Duarte afirmou que o retorno ao país poderia dificultar a aplicação da pena, caso ela seja condenada. Ele também considerou que novos fatos apresentados, como a alegação de que Agostina estaria sendo alvo de ameaças, não justificam a extradição e a revogação das medidas cautelares.
O julgamento da influencer teve início na terça-feira, 24. A defesa de Agostina e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) concordaram que, se condenada, ela será extraditada e cumprirá a pena na Argentina.
O MPRJ também defendeu que Agostina pague cerca de R$ 200 mil de indenização aos funcionários do bar. No Brasil, o crime de injúria racial é equiparado ao crime de racismo, com pena de prisão de 2 a 5 anos, além do pagamento de multa.
Segundo a denúncia, a turista se envolveu em uma discussão com o gerente do bar em 14 de janeiro, motivada por um suposto erro no pagamento da conta. A vítima das ofensas verificou as imagens de câmeras de segurança e solicitou que Agostina permanecesse no local até a situação ser resolvida.
Os xingamentos racistas começaram e foram gravados por um funcionário. A advogada chamou trabalhadores do bar de “negro” de forma pejorativa e, ao deixar o local, utilizou a palavra “mono” (macaco, em espanhol). Um vídeo mostra Agostina imitando os sons e movimentos de um macaco na rua, enquanto uma outra mulher tenta levá-la embora.

